<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-21017191</atom:id><lastBuildDate>Mon, 21 Dec 2009 09:31:56 +0000</lastBuildDate><title>Singelo Mundo</title><description>Lar de todas as singelezas</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Gustavo)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>326</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-8880166900832027801</guid><pubDate>Wed, 09 Dec 2009 10:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-09T14:56:29.047-03:00</atom:updated><title>O politicamente correto, o incorreto, e o jeito certo de falar com as pessoas, seguido de um asterisco grandão</title><description>Apesar de este ser um assunto ao mesmo tempo chato e vencido, e de já quase ninguém no Brasil dar a mínima pro politicamente correto, pessoas continuam sendo anti-politicamente correto por algo como TODA A VIDA. E, pior, ficam exibindo seu anti-politicamente corretismo por aí, mais ou menos da mesma forma que fazem os anti-comunistas ou os anti-Mallu Magalhães. É como se a simples existência da idéia - e a consciência dessa existência, algo que mexe mais com o ego que com a moral - fosse motivo suficiente para combatê-la, mesmo que já ninguém a adote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a idéia não vai deixar de existir por mais que se lute contra ela. Ao contrário, ela tende a se fortalecer. De tanto você chutar o cachorro morto, vai acidentalmente injetar com a botina esquerda um bocado de T-Virus e ele vai virar um cachorro zumbi que vai morder sua perna e te converter. Depois vai sair por aí mordendo a perna de todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não, não importa quão smarty sua crítica ao politicamente correto é (nunca é, e na verdade costuma ser pouco mais que alguma ironia rasa da fórmula "faça o contrário e diga 'hehe, eu nem sou politicamente correto'"), você vai ressuscitar o morto, criar um zumbi - que nem é tão ruim nos filmes, talvez nos livros, mas isso é a vida real, e o risco é divertido quando sofrem os outros. Um mundo com zumbis só seria divertido se eu tivesse algum tipo de antídoto correndo livre pelas minhas veias - mas basta olhar pra minha cara e você percebe que eu não sou a Milla Jovovich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixe-me mostrar os momentos em que isso acontece, pra ver se fica mais claro: "Eu acho que os viado tem mais é que ficar quieto, porra de casar! É ISSO AÍ, SOU POLITICAMENTE INCORRETO". Sempre que dizem essa frase final, ela soa mais ou menos como "me desculpa por ser politicamente incorreto". É como se a posição (forcemos) política fosse usada como desculpa para a homofobia, o racismo ou qualquer coisa do tipo. Não que eu tenha algo abertamente contra qualquer uma dessas coisas, você tem seu direito de dizer o que quiser, mas essa frase final só te faz parecer covarde, e não "desafiador da ordem que está sendo imposta", até porque mais maneiro que desafiar a ordem é ignorá-la por completo. Fingir que ela nunca existiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que muito me incomoda nos politicamente incorretos é a vontade quase instintiva de fazer &lt;em&gt;tudo&lt;/em&gt; o que é politicamente incorreto simplesmente pra afrontar essa (para eles nova) onda de correção. Não é preciso que eles gostem daquilo, não é preciso eles aprovarem o que fazem. O juízo necessário para as ações deixa de ser o seu próprio, o seu julgamento, e passa ao poder do politicamente incorreto, mesmo que para fazer as coisas ao contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso acontece em quase tudo, e, por exemplo, se Lula baixasse os impostos, os anti-Lula de repente seriam grandes defensores do aumento deles, ou, mais sutilmente, da redução dos impostos que ele não baixasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso eu quero dizer que ser anti-politicamente correto não é necessariamente mais inteligente, mais divertido ou mais witty que ser politicamente correto. Às vezes é uma reação instintiva pela manutenção dos direitos de fazer piadas de pretos (I'm all in for it), mas ignora que a correção política, em si, não é imposição, é a sugestão de um amaneiramento no trato das pessoas, pra que elas não se ofendam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente o conceito de "ofensivo" é amplo demais pra ser contido em uma cartilha, já que eu posso me ofender mais por ser chamado através de eufemismo (ô, seu possuídor da mais-valia vertical), por exemplo, que ser chamado diretamente de "alto", porque o eufemismo (a forma por excelência do politicamente correto) em si implica que o significado (o que está por trás de toda a discussão, mas que pouca gente discute, mantendo a conversa sempre na terminologia) da xpressão é pejorativo, enquanto a palavra em si talvez não implique nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há casos em que o politicamente correto entra naturalmente, e nesses casos é adotado por todo mundo sem grandes revoltas. É, por exemplo, o caso de "senhora" ou "velhinha" pra se referir a uma velha, uma idosa, uma anciã. O próprio termo "terceira idade" é um eufemismo pra "velhice" (e agora querem eufemizar o eufemismo, até que um dia o significado seja tão sutil que nem se perceba mais, o que é patético por empobrecer o idioma, não pela intenção em si).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é revoltante nessa história toda é que o governo tenha se metido nessa palhaçada só porque leva o radical &lt;em&gt;politic&lt;/em&gt; no nome. E como o governo quer sempre ser correto, porque assumir que é incorreto é assumir a verdade (e quem espera a verdade dos políticos?), entrou pelo lado do politicamente correto. O que gerou mais antipatia que simpatia, porque, por mais que os brasileiros achem maneiro o governo se metendo em suas vidas de modo geral, não querem o governo se metendo em suas bocas, porque isso se faz sentir mais fortemente como invasão da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu quero dizer neste post tão verticalmente favorecido é que não há razão para atacar o politicamente correto, coitado, que só foi usado como refém do governo. Também não se é obrigado a aceitar tudo o que a correção política diz, mas avaliar (isso se faz naturalmente a partir do momento em que se deixa de opor a todo o politicamente correto &lt;em&gt;per se&lt;/em&gt;) caso a caso quando se vai falar. Porque o PC é basicamente um "estilo" de linguagem que tenta ofender o mínimo possível dos atingidos por ele. O anti-politicamente correto, por conseguinte, seria um estilo que tenta ofender ao máximo todo mundo, o que é divertido, às vezes, mas não serve bem a todos os propósitos e soa arrogante, porque o locutor não é ouvinte, e não será alvo das ofensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se deve buscar é o discurso normal, que ofende quem merece as ofensas, mas mantém livre delas quem não merece. Assim, se um aleijado se sente ofendido com a expressão, eu não o chamarei de aleijado (a não ser que ele mereça ser ofendido), mas de outras palavras que talvez lhe soem melhor - deficiente dificilmente ofenderia alguém, entretanto. O que se esquece é que a palavra "política" sempre significou (a despeito do que significa "fazer política"), pelo menos no meu mundinho pequeno e feliz, a busca de relações amigáveis, mais ou menos uma "diplomacia interna", e o politicamente correto significaria algo como "a correta busca pelas relações amigáveis", algo supostamente bom. O problema todo seria guiar à força relações amigáveis, porque, desde que o sol nasceu pela primeira vez no jardim do Éden, nenhuma amizade se estabeleceu ou guiou por meio da força (sinto falta do verbo &lt;em&gt;to enforce&lt;/em&gt; pra dizer algo no rumo de &lt;em&gt;it's impossible to enforce a friendship&lt;/em&gt;), e força sempre está implicada em todas as ações do governo, porque o governo blablablá força blablablá e essa ladainha toda que quem tem cérebro conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer, então? Em primeiro lugar, ignorar o que o governo diz que é correto (no sentido de não prestar atenção, e não no de desprezar. Às vezes, embora raro e sem intenção, num desses chutes pra lua, o governo - ruim de bola que só ele - acerta o gol. Em segundo lugar se preocupar com quem vai te ouvir, te ler ou interpretar sua linguagem de sinais ou os sinais de fumaça que você mandar pro céu. E só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que esse texto desse tamanho sobre esse assunto que eu chamei de cachorro morto? Porque vi o cachorro ser ressuscitado &lt;a href="http://www.dicta.com.br/lancamento-uma-dicta-por-uma-cerveja/"&gt;aqui&lt;/a&gt;, por alguém que se gaba de "o politicamente correto nunca ter tido vez" na revista, numa citação que sequer implica na correção política - ou alguém já disse que é politicamente incorreto beber uma cerveja enquanto se lê a uma revista, por melhor ou pior que seja o conteúdo*?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eu não estou chutando o cachorro morto aqui, não há possibilidades de eu transmitir pra ele o T-Virus. Eu estou só observando, muito superior. E meus olhos, embora cheios de terçol e conjuntivite, não transmitem T-Virus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* No caso da Dicta suponho que seja bom, overall, porque nela escrevem algumas pessoas que admiro e porque alguns dos poucos textos que li da revista eram bons, e até assino o feed do blog, mainly por causa do Joel Pinheiro, e nunca por causa do Martim Vasquez da Cunha, porque, DEUS, aquilo é um pé no saco, e a fórmula dele de criticar alguém e chamar atenção para o fato de que ele está criticando &lt;em&gt;aquele&lt;/em&gt; alguém, como num &lt;em&gt;ad hominem&lt;/em&gt; a favor, um "elogio &lt;em&gt;ad populum&lt;/em&gt; ou sei lá que tipo de retórica seria o &lt;em&gt;dizer que aquela pessoa é importante pra depois criticá-la e dar algum valor de polêmica ao que está dizendo&lt;/em&gt;, pra poder dar algum tipo de relevância ao seu argumento. É como as críticas que ele faz (não interessa se merecidas ou imerecidas) fossem importantes porque criticam alguém importante, e não porque o que ele diz é realmente importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num desvio do padrão (ruim) da crítica, que costuma criticar pessoas desconhecidas (porque é fácil), e ele passa a criticar os conhecidos para assumir uma aura de corajoso, destemido, de pureza ideológica, como se fazer o contrário do que faz a má crítica lhe valesse o título de bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro artifício dele, também pra causar polêmica, é o link pessoa -&gt; obra para desvalorizar a obra. Como se um escultor deixasse de ser bom escultor por ser nazista, ou um filósofo deixasse de ser bom filósofo por ser flamenguista (embora este último caso tenha sentido, já que Flamengo e cérebro não mantêm uma amizade muito estreita).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, isso é tudo, hope I didn't take too much of your time, essas coisas todas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-8880166900832027801?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/12/o-politicamente-correto-o-incorreto-e-o.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-8478390243407321449</guid><pubDate>Sun, 18 Oct 2009 11:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-18T08:33:50.038-03:00</atom:updated><title></title><description>Na Espanha, graças aos muitos esforços do governo para a inclusão social de deficientes e apoio às família numerosas, toda mulher sonha em engravidar de quádruplos deficientes duas vezes por ano. Não sei porque ainda fazem questão de ter uma lei de aborto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-8478390243407321449?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/10/na-espanha-gracas-aos-muitos-esforcos.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-1372320292561379264</guid><pubDate>Thu, 01 Oct 2009 18:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-01T15:07:49.449-03:00</atom:updated><title>Cançao do Exílio</title><description>Minha terra tem palmeiras&lt;br /&gt;Onde canta o sabiá&lt;br /&gt;Mas as aves que aqui gorjeiam&lt;br /&gt;Gorjeiam no &lt;a href="http://www.giraldacenter.com/estudiar_espanol_en_espana/aprender_espanol_en_espana_viajando/estudiar_espanol_en_espana/catedral_sevilla.jpg"&gt;maior edifício gótico do mundo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano em Sevilha. Acho que nao me fará muito mal - sinto falta do teclado nacional, entretanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-1372320292561379264?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/10/cancao-do-exilio.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-3453257098866593269</guid><pubDate>Sat, 19 Sep 2009 18:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-19T15:35:32.610-03:00</atom:updated><title>Uma questão importante:</title><description>O que se faz em Lisboa, quando só se tem 20 horas para passear?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-3453257098866593269?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/09/uma-questao-importante.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-7927890256793215475</guid><pubDate>Sun, 23 Aug 2009 11:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-15T16:42:10.369-03:00</atom:updated><title>A Cura Gay</title><description>Abriu uma clínica, fez um folheto muito bem ilustrado, com antes e depois, algumas espirais coloridas (mas sóbrias) na borda e uma fonte delicada (mas hétero) foi utilizada para escrever "LIVRE-SE DO HOMOSSEXUALISMO - Dr. Amadeu Ferrara, Psicólogo, telefone etc." em papel couché fosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Amadeu tinha experiência, já havia curado algumas dezenas de homossexuais, e, recém-chegado à nova cidade (expulso de Mandioquinha do Sul por ameaças dos movimentos gays, algumas das quais incluiam sodomização, embarcou para Cará do Norte, cidade de mentalidade mais aberta, mais receptiva a métodos não ortodoxos), investiu todas as suas economias em equipamentos mais modernos para as sessões de hipnoterapia e eletrochoques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ajuda de um amigo seu, policial, obteve os tasers a preços módicos, e outro amigo, colega dos tempos de faculdade, lhe emprestou os livros para a estante da recepção - os que tinha deixara em Mandioquinha do Sul, apressado que estava por medo da sodomia, e mandara trazer pela sua irmã, uma militante do partido integralista, mas que só estaria de férias - e, portanto, livre para visitar o irmão - em três meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua clínica ficava numa casinha colonial no bairro mais antigo da cidade, Louros de César, e em pouco tempo já tinha quase meia dúzia de pacientes - alguns atormentados pela própria dúvida, queriam extinguí-la e tornar-se definitivamente héteros; outros, já gays há algum tempo, queriam se livrar do preconceito que sofriam da família e dos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles, pertencente ao segundo grupo, foi escolhido pelo Dr. Amadeu como modelo exemplar para provar seu sucesso. Na primeira sessão, com camisa baby-look e lantejoulas, ele sentou com as pernas bem cruzadas, fechadas e apertando sua masculinidade. Ao longo de pouco mais de um mês passou a sentar, com naturalidade, com as pernas abertas - e, para tanto, precisou abandonar as saias, porque ele era gay, mas não indecente. Daí pra heterossexualidade foi um pulo, e em quarenta e cinco dias o Dr. Amadeu já contava com sua primeira cura em Cará do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso repercutiu. O paciente, chamado Darcy Monteiro, foi convidado a aparecer em diversos programas sensacionalistas para explicar que era possível, sim, um ex-gay. Que ele já tinha até arrumado uma namorada e que não se arrependia em nenhum momento dos choques que levara na virilha para chegar aonde estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração caiu como uma bomba na clínica do Dr. Amadeu. Uma semana depois ele tinha quinze novos pacientes e trinta ameaças fresquinhas. "Dessa vez", pensou, "resistirei às ameaças". E resistiu. Manteve sua clínica com o mesmo sucesso, apesar de viver muito mais recluso depois de tantos dildos enviados a ele pelo correio em tom de ameaça (um deles foi enviado ligado, e quando Amadeu abriu a caixa, ele pulou no rosto do psicólogo, ferindo-lhe gravemente o olho direito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do incidente, decidiu que precisava de ajuda policial. Relatou as ameaças ao delegado, que não só se recusou a dar-lhe proteção policial, como enviou o caso do Dr. Amadeu ao Ministério Público. O Brasil ficou chocado com as absurdas técnicas do Dr. Amadeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acusado de homofobia - crime recém-estabelecido no país -, Amadeu foi a julgamento, onde ficou famoso pelo discurso que fez em defesa própria, dispensando o advogado. Chamou como testemunhas seus pacientes, e perguntou se em algum momento ele os havia feito algo com o qual não concordavam, ao que todos negaram, dizendo terem sido tratados com toda a dignidade e respeito, e que o próprio Dr. Amadeu os advertiu várias vezes que o processo era doloroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando questionado sobre o fato de acreditar que a homossexualidade fosse uma doença, respondeu que, "se alterações no humor como bipolaridade e depressão são doenças, não há razão para negar o homossexualismo como doença também". Nesse momento, recebeu uma forte vaia do tribunal e um carão do promotor, que sofria de transtorno bipolar e não queria ser comparado aos gays.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro argumento do Dr. Amadeu Ferrara em seu julgamento foi a maioridade de todos os seus pacientes, a ciência que tinham sobre cada etapa do processo (intrincado, o processo de cura do homossexualismo patenteado pelo Dr. Amadeu consistia de sete etapas metodicamente efetivadas ao longo do período de cura do paciente, começando por eletrochoques e afogamentos e culminando invariavelmente com hipnoterapia para lapidação da heterossexualidade). Todos os pacientes aquiesceram, disseram que os choques "nem doíam tanto", e que, se nenhum dos pacientes do Dr. Amadeu havia até então movido processo contra ele, não havia porque o MP mover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmativa chocou as autoridades GLBT do lugar, que disseram que a "cura" se tratava de crime de homofobia e contra a dignidade da pessoa humana. Gritos de "apoiado" ecoaram no tribunal, e o juiz não fez questão de pedir ordem durante algum tempo, apreciando a vitória dos gays sobre os ex-gays - também estes, obviamente, homófobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sessão terminou desastrosamente. O MP incluiu os pacientes como réus por homofobia, juntamente com a secretária da clínica, processada por "conivência e cumplicidade". Agora as palavras de qualquer um que pudesse defender o pobre psicólogo eram caladas sob a desculpa do interesse pessoal em auto-defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o processo corria, o Dr. Amadeu Ferrara teve sua licensa cassada. Ao término do processo, ele foi condenado a dois anos de reclusão e cinqüenta mil reais em multas. Todos os gays que ele havia curado foram obrigados a abandonar as esposas e voltar a ser gays - pois, segundo a sentença, "a homossexualidade faz parte da essência mesma desses cidadãos, não podendo ser abandonada por caprichos ou vontades individuais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todos os ex-gays se suicidaram no dia seguinte, e o Dr. Amadeu, embora triste, sorriu pela efetividade de seu tratamento. Restava a ele a lembrança da cura tão completa que leva ao suicídio aqueles que têm que retornar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu ainda na prisão, depois de dezoito meses preso. No seu testamento, deixou tudo o que tinha para o Ministério Público, dizendo: "Eles saberão cuidar melhor dos meus bens do que eu soube, já que sabem cuidar melhor da própria vida das pessoas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde funcionava sua clínica funciona hoje a Casa de Passagem do Promotor, que abriga gratuitamente qualquer promotor que viaje pela região. O divã foi transformado em cama, e os vibradores que ele recebera pelo correio podem ser usados pelos promotores por um preço realmente módico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe de nenhum promotor que não os tenha usado até hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-7927890256793215475?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/08/cura-gay.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-7661736417717662846</guid><pubDate>Wed, 15 Jul 2009 21:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-15T18:57:34.430-03:00</atom:updated><title>Stevie Might be a Bear, Maybe</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://stereotypist.livejournal.com/40160.html"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 428px; height: 651px;" src="http://picturesforsadchildren.com/oldethymes/stevie1.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com apenas três anos de atraso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-7661736417717662846?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/07/stevie-might-be-bear-maybe.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-106853090334707704</guid><pubDate>Sun, 26 Apr 2009 01:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-25T22:39:17.857-03:00</atom:updated><title></title><description>Eu queria fazer um post falando mal do Brasil, mas, gente, a gente vive num país em que &lt;b&gt;o Daniel&lt;/b&gt; compõe a trilha da novela das seis!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-106853090334707704?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/04/eu-queria-fazer-um-post-falando-mal-do.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-6277393049145202215</guid><pubDate>Thu, 09 Apr 2009 21:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-09T18:17:23.672-03:00</atom:updated><title>I'm back! I'm back! Really, really back!</title><description>But not now. Amanhã, eu acho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-6277393049145202215?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/04/im-back-im-back-really-really-back.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-5711552705840626301</guid><pubDate>Wed, 04 Mar 2009 12:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-04T09:18:19.141-03:00</atom:updated><title></title><description>Dia desses o pessoal aprendeu que argumento de autoridade é falácia. Aí fica o tempo todo prestando atenção, esperando alguma citação pra poder gritar "AD VERECUNDIAM!"&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vejam só, leitores, o que me move a escrever novamente pra vocês é esse meu fetiche pela autoridade. Se alguém chega pra você e diz "leia &lt;em&gt;Beneditino da Gávea&lt;/em&gt;" esse alguém não está, de forma alguma, apelando para a autoridade. Está apelando para a sua disposição de entender algo direto onde esse algo foi dito. Apelando pra que você leia os argumentos de Beneditino da Gávea, torcendo pra que você seja justo o bastante para dar crédito à possibilidade de, talvez, Beneditino da Gávea estar certo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Obviamente nem todas as vezes em que se fala de Beneditino da Gávea fala-se que leiam esse grande filósofo da boemia carioca ficcional católica. Às vezes apenas dizem "Beneditino da Gávea disse que Hegel é maneiro, ergo est", e nesse caso o argumento é de autoridade, mas talvez o Beneditino tenha um bom argumento pra provar isso - um argumento forte o bastante pra convencer tão completamente o leitor que ele sequer cita quando diz que Beneditino está certo - basta o nome desse grande e relevante filósofo e tudo está pronto, argumentado e disposto bonitinho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É óbvio que o que satisfez seu adversário não está exposto para você, mas não seria o caso de dar uma chance a Beneditino e pegar o livro do rapaz pra ver o que fez esse idiota que discute com você defender tão intensamente um filósofo tão obviamente estúpido quanto Hegel? Às vezes o mundo é tão surpreendente que até alguém chamado Barbosa pode ser interessante e, vá lá, engraçado e, quem sabe, uma mulher sexy de espartilho preto e seios redondos e macios. Dê crédito ao Beneditino da Gávea. Ele pode ser mais gostosa que aquela modelo loirinha da Victoria's Secret.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-5711552705840626301?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/03/dia-desses-o-pessoal-aprendeu-que.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-3923988446638459008</guid><pubDate>Sat, 07 Feb 2009 23:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-07T20:58:27.231-03:00</atom:updated><title>Hinos</title><description>Amigos me dizem que os hinos dos times de futebol de Pernambuco, Náutico e Sport (e possivelmente Santa Cruz), são frevos. Imagina se todo mundo fosse retardado que nem os pernambucanos. Os hinos dos times do Rio seriam todos sambas, os de Minas seriam todos modas de viola e os do Rio Grande do Sul seriam todos em vanerão. Além disso, falariam de feijoada, pão de queijo e chimarrão, respectivamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-3923988446638459008?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/02/hinos.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-906765669652019475</guid><pubDate>Sun, 25 Jan 2009 01:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-24T23:49:53.721-03:00</atom:updated><title>An almost empty canvas on The Recognitions</title><description>Eu enrolei bastante antes de escrever este post porque o livro tem quase mil páginas, e, notando isso de que vou falar ainda no começo, não podia dar como certo que continuaria assim. Agora, 600 páginas depois, acho que posso dizer mais ou menos o que achei mais interessante em The Recognitions.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é um grande amontoado de quadros que contam uma história. É como uma Via Sacra, quase. A diferença é que o elemento principal da Via Sacra - Jesus, para os que não sabem - aparece como elemento central em todos os quadros, e a história é contada de forma bastante uniforme e centralizada. The Recognitions é um amontoado de quadros que têm, em geral, ligação apenas indireta com o personagem que, originalmente, parecia ser o principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto que às vezes esquecemos que ele existe, e de repente ele é citado rapidamente, sem seu nome (Wyatt) mencionado, de forma que apenas &lt;em&gt;reconhecemos&lt;/em&gt; (desculpa) o personagem ali. Às vezes esse reconhecimento é bem distante, e aparentemente invisível, até que você seja esperto o bastante para captá-lo. Com o passar das páginas a gente fica melhor nessa busca, e o funcionamento da coisa fica mais fácil de entender, e a gente começa a buscar no começo do livro coisas que eram menos claras, coisas que eram mais vazias (e começa a se interessar pelas obras que ele cita, esse erudito filho da mãe, e faz a gente usar &lt;em&gt;A Anunciação&lt;/em&gt; de Jan van Eyck como papel de parede, porque tem o azul mais bonito que alguém já viu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, isso tudo são as observações &lt;em&gt;formais&lt;/em&gt; sobre o livro, que do conteúdo nada falarei pra não simplificar demais algo que eu não saberia expressar sem estragar completamente. Posso adiantar, entretanto, que os diálogos são tão geniais que me fazem pensar se algum dia o meio &lt;em&gt;artsy&lt;/em&gt; falou diferente ou se o Brasil é que é tão atrasado que só conseguiu os cacoetes americanos 50 anos depois. Todos o vícios e a pompa de conversas apenas semi-informadas que se empolam e convoluem (existe convoluem?) para fazer desaparecer qualquer rastro de desinformação nas muitas camadas de viadagem (no bom sentido, que não é bom de verdade, mas serve como expressão para diferenciar da viadagem física) que quase todos os personagens fazem questão de incluir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí acaba o diálogo e o narrador fala, uma linguagem direta - apesar de altamente referencial (mitologia grega, mithraísmo e outros milhões de coisos interessantes) - e às vezes lenta e sempre descritiva que monta o quadro, que se conclui alguns minutos depois, mas que deixa a certeza, por meio do contraste, de que aqueles personagens são tão ridículos que é desnecessária até mesmo uma crítica mais ácida pra identificar o número de besteiras que eles falam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que vocês leiam, deixem-me ordenar que vocês simpatizem mais com o Stanley, o Wyatt e o avô do Wyatt, &lt;em&gt;The Town Carpenter&lt;/em&gt;, que com os outros personagens, e que quase gostem da Esme, apesar de eu não saber se Gaddis queria isso pra ela. E que concordem com toda a crítica pós-moderna de Gaddis ao modernismo, porque o pós-modernismo de Gaddis é pós-moderno só na forma, e ele ama tanto os clássicos que fica nos obrigando a nos interessar mais por eles, e a lê-los (ou ler sobre eles, quando ler os livros em pessoa tomaria muito do tempo que pretendemos dedicar a The Recognitions).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, ignore as aliterações. Eu ignoro todas as aliterações de todos os autores em prosa, porque aliteração não é &lt;em&gt;bonito&lt;/em&gt; em prosa, é um recurso cansativo, apenas, que costuma dificultar a leitura por exigir que se escolham palavras menos precisas pra manter o ritmo. Às vezes Gaddis até consegue usar a aliteração direitinho, porque ela deveria estar ali, e não porque ela é aliteração, e a leitura flui apesar dela, e flui ritmada, mas às vezes Gaddis atrapalha a leitura do próprio livro (isso acontece em um capítulo lá pela página 400, se não me engano, e dura apenas umas 20 páginas, mas cansa mais que as 300 primeiras páginas, que você lê nos três primeiros dias). Aí agora eu vou dormir, que tenho mais o que fazer que conversar com todas essas pessoas que entram sempre aqui e comentam, essas muitas pessoas que adoram meu blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-906765669652019475?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/01/almost-empty-canvas-on-recognitions.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-6081965685175432440</guid><pubDate>Tue, 20 Jan 2009 21:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-20T19:11:36.551-03:00</atom:updated><title>Lula e a imprensa</title><description>Eu demorei pra escrever porque achava que alguém teria a excelente idéia de escrever por mim, mas peraí: o presidente fala a primeira coisa sensata desde que assumiu como deputado pela primeira vez, talvez de toda a vida, e o que me aparece? Só idiotas achando "um absurdo" que o "apedeuta" do "preZidente Mulla" não leia nada da nossa imprensa (SAP: "um absurdo que ele não se importe com todas as críticas retardadas que faço a ele todos os dias, 48 vezes por dia, e compilo num artigo sem graça).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu fiquei extremamente feliz com isso, porque 1) ele não vai ler nada que eu publicar e 2) pelo menos ele tem noção de como a mistura de política com imprensa é nociva à população (ou talvez ele seja só preguiçoso, mas eu tenho essa noção, e a idéia de Lula lendo um texto meu no banheiro dá azia em mim, vou te contar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, francamente, querer ser lido &lt;em&gt;pelo Lula&lt;/em&gt; é mais mau gosto do que suportaria meu jovem cérebro, acostumado a Johnny Cash, Catherine Zeta-Jones e Nutella. E porque, também francamente, pois sou sincero, presidente que lê os jornais tende com mais intensidade a censurá-los quando - por acidente - eles falam alguma verdade (afinal, ele é &lt;em&gt;culto&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;bem-informado&lt;/em&gt; e, pior, &lt;em&gt;tem poder&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um presidente que não acompanha a imprensa é, necessariamente, melhor que um que lê &lt;em&gt;a Folha, o Estadão e O Globo todos os dias, além de todas as matérias da Veja, IstoÉ, Carta Capital e Época&lt;/em&gt;. Eu, por exemplo, não leio a Folha, o Estadão ou O Globo, nem qualquer uma das revistas que o Lula também não lê, e me acho muito mais útil que o Reinaldo Azevedo, se é que o Reinaldo Azevedo falou alguma coisa sobre isso (apenas suponho, não pensem que eu abri o blog dele, céus!). E eu estou comendo Nutella, reparem (QED minha importância superior).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, mesmo se Lula não fosse um completo retardado, e se conhecer algo não fosse o requisito essencial para julgá-lo (e sabemos que o presidente não deve julgar a imprensa, pombas), ainda assim, eu prefiro ter um presidente muito preocupado com, digamos, A Peste, que se espalhou tão terrivelmente que destruiu Londres em 1665, conta Defoe (ou Pepys, que ele pode ter preferências diferentes das minhas), que com a dengue, que matou meia dúzia de bebês sem higiene ano passado. Com a morte de Luís XVI - "Coitado!" - que com um novo seqüestro das FARCs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é somente uma preferência estética, que não sou assim tão superficial. É uma preferência política. Quanto mais alienados os políticos, mas feliz o país em que esses políticos governam. É só ver os Estados Unidos. Toda vez que alguém muito preocupado com a &lt;em&gt;atualidade&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;terrorismo&lt;/em&gt;, a &lt;em&gt;distribuição de renda&lt;/em&gt; assume, chove chumbo, surge crise, gente se mata, o preço do Nutella sobe etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que um presidente lê uma notícia sobre, digamos, saúde pública, além de surgir uma nova epidemia (graças em grande parte às medidas emergenciais, como, &lt;em&gt;it's a long shot I take&lt;/em&gt;, proibir privadas com fundo quadrado), o dinheiro pra contê-la (e subsidiar essas privadas, fabricadas pelo sobrinho do senador que propôs a medida) vai sair da educação e PIMBA!, os problemas se multiplicam. É batata. Só não vê quem não quer. E quem está com os olhos vidrados nas páginas dos jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.s.: quem não fica feliz em saber que, pelo menos, os dedos do presidente não estão sujos de tinta? Que talvez - talvez! - ele tenha uma mão asseada, com a qual ele vai apertar sua mão na próxima campanha (porque ele vai). Ou você prefere apertar a mão de um presidente intelectual, todo asseadinho, mas que vai manchar as costas da sua camisa quando te cumprimentar com um tapinha gentil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.p.s.: E o presidente intelectual também tem resquícios de tinta de jornal debaixo das unhas, que vão impedir você de comer quando ele sentar à sua frente na mesa e pegar a coxa de galinha com as duas mãos e cravar-lhe os dentes, faminto (não que ele vá, Deus te proteja, mas eu gosto de usar essas situações de rotina pra provar que eu estou certo). Além de que, como diz minha mãe, minha onisciente mãe, "é pelas mãos e pelos pés que se julga um homem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quê mais? Tenho que explicar que um presidente intelectual, geralmente, não é um verdadeiro intelectual. É apenas &lt;em&gt;reconhecido&lt;/em&gt; como intelectual, como qualquer pessoa que tenha lido mais que três livros e acompanhe todos os jornais é sempre. Porque intelectual de verdade não gosta de jornais. O bom gosto não permitiria que ele lesse essas matérias vazias dos nossos jornalistas, e, principalmente, que se envolvesse com política e se candidatasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-6081965685175432440?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/01/lula-e-imprensa.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-3009415978958204654</guid><pubDate>Wed, 07 Jan 2009 21:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-07T18:39:56.747-03:00</atom:updated><title>Recém-formado</title><description>Decidiu durante a festa seguir a mais longa das carreiras. Morreu de overdose.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-3009415978958204654?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/01/recm-formado.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-4351593355424561942</guid><pubDate>Thu, 01 Jan 2009 09:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-02T10:03:07.562-03:00</atom:updated><title>Feliz ano novo</title><description>Estava lendo The Recognitions aqui e tive uma idéia pra um romance que eu sei que eu seria incapaz de completar, então deixa eu sugerir aqui pro primeiro que quiser aproveitar, porque sou bom e gentil, e porque eu só cobro 10% do lucro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente é o seguinte: o romance deve ter uns 500 milhões de personagens, cada um de uma religião diferente, embora não se diga nada sobre as religiões assim, diretamente. Só insinuações. "Idólatra", "Ave Maria" ou "Santa Montanha" seriam as pistas deixadas pelo protestante, pelo católico e pelo xintoísta, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, 500 milhões de personagens porque, reparem, todas as religiões do mundo precisam estar representadas, e por isso eu seria incapaz de escrever isso. Daí, eventualmente, todos morreriam, e todos iriam pro céu. Cada um pro seu céu, a maravilha reservada pra cada um deles. Então eles ficariam no Paraíso, todos achando que Deus tinha dado a eles o privilégio de ir ao Paraíso, justamente porque eles não sabiam que o Paraíso não é só um, é como um monte de países sem fronteiras, e porque eles não sabiam que Deus era bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí eles começariam a achar ridículo que tenham existido tantos idiotas na Terra que achavam que iam pro Paraíso, quando na verdade só existia o Paraíso judeu, cheio de carneiros e toneladas de sal kosher, ou o hindu, cheio de vaquinhas, ou o muçulmano, cheio de virgens. Ficam tão metidos que começam a irritar Deus, que manda todos pro inferno. O inferno é um só, por outro lado. Todas as religiões se misturam por lá, e talvez por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegam, ficam tão melancólicos por deixar o Paraíso que são incapazes de conversar com o pessoal das outras religiões, então eles passam a eternidade sem poder se redimir, sempre achando que o Paraíso era pra eles, e o resto não conhecia nada melhor que a Terra - por isso não sofria tanto no inferno. Ninguém se salva. Fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-4351593355424561942?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2009/01/feliz-ano-novo.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-5714547487468471373</guid><pubDate>Tue, 16 Dec 2008 22:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-16T20:29:48.359-03:00</atom:updated><title>Uma breve história da evolução do Taoísmo</title><description>O taoísmo é a primeira religião fundada com base nas palavras dos três irmãos-profetas Lao, Mao e Tao Tsé Tung (especialmente neste último, que rendeu o nome da religião), embora tenham dela derivado o Laoísmo e o Maoísmo, em que as visões dos irmãos mais novos prevalecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de serem três religiões distintas atualmente, seu tronco era comum, e tentava aliar as idéias dos três. Dessa forma, as idéias do mais velho, Lao Tsé (e seu nome significa justamente "velho mestre" ou, como seus irmãos preferiam, "mestre velho"), e de seu irmão-entidade, Tao, que pregavam a recusa a qualquer autoridade e o equilíbrio em todos os aspectos da vida, precisavam fundir-se com as idéias de Mao, que pregava que toda autoridade é ruim, exceto a dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iludidos pela &lt;em&gt;exceção que confirma a regra&lt;/em&gt;, Lao e Tao aceitaram a imposição de seu caçula nos primórdios de sua pregação. Espalharam por toda a China, os três, suas palavras misturadas e confusas, mas, como os chineses têm zero de senso crítico (isso somado ao fato de, na época, qualquer broto de bambu dar origem a religiões respeitadas), não questionaram os acréscimos de Mao, e começaram a segui-lo como líder maior dentre os três irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, Mao se acostumou a ser visto como o maior representante de Deus na terra, pois, embora seu coração soubesse que suas ordens e seu autoritarismo o afastassem de Deus, e o Senhor já raramente conversasse com ele - fazendo-o apenas para admoestá-lo -, seu cérebro e seu corpo se acostumaram aos sim-senhores e aos tronos e travesseiros de plumas de ganso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus irmãos, únicos responsáveis por controlar sua ânsia por poder, por serem mais velhos - Lao era 25 anos mais velho que Mao, e Tao 5 mais velho que Lao (de onde a disputa sobre a legitimidade de Mao como filho de Hao Tung, pai dos dois mais velhos, que morreu, como o pai de Gargântua, a 11 meses do nascimento do menino Mao, embora não se pretenda aqui questionar a honestidade da senhora Lin Tsé) -, morreram um pouco antes de Mao (aproximadamente 2065 anos antes, segundo o historiador Sima Qian), e o &lt;em&gt;profeta da verruga&lt;/em&gt;, como era conhecido, teve espaço para ampliar seus poderes além do que jamais sonhara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos pedia céus e terras a cada um de seus seguidores, e, embora todos conseguissem um punhado de terra para doá-lo, ninguém jamais conseguiu sequer um pedaço de céu - e a punição para quem não cumpria suas ordens era a morte. Dessa forma Mao matou cerca de oito milhões de chineses, homens e mulheres (diretamente, com escopetas turbinadas, ou nas viagens ao espaço que seu povo fazia em busca dos pedaços de céu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras dezenas de milhões foram mortos durante o "grande salto para a frente", que foi um evento decorrente da "carismatização" do Taoísmo. Nessa época surgiu pela primeira vez o epíteto "Maoísmo", recusado por Mao por não ter o apelo dos três irmãos-profetas. "O grande salto para a frente" foi a reunião, numa manhã de domingo, de todos os Taoístas da China, que juntos louvaram e ergueram as mãos, em coreografia inventada pelo próprio Mao e por seu auxiliar, o Pr. Ricardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das músicas, o "frevo para o Senhor", um dos passos incluía um &lt;em&gt;grande salto para a frente&lt;/em&gt;, evocado na própria letra da canção. O problema é que o solo da Praça da Paz Celestial, naquele tempo, era ainda muito irregular, e milhões de Taoístas tropeçaram no solo ou uns nos outros, formando uma montanha que soterrou em carne, estima-se, pelo menos 30 milhões de fiéis, matando a maioria e deixando outros milhões de feridos - que, até hoje, lutam por suas pensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, Mao morreu, e então retornou com mais intensidade a expressão Maoísmo, já que ninguém mais queria lembrar de Tao ou de Lao - apenas do dia glorioso em que "milhões de pessoas se abraçaram na paz de Deus", como é costume dizer na China. Até hoje os chineses seguem os passos de Mao, e sonham com o dia em que se reunirão novamente para se abraçar em Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém na China segue mestre algum que não seja o líder de Mao, conhecido no exterior como "presidente".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-5714547487468471373?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/12/uma-breve-histria-da-evoluo-do-taosmo.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-7500109723276187854</guid><pubDate>Sat, 13 Dec 2008 21:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-13T18:34:23.089-03:00</atom:updated><title></title><description>Para que se respeite a arrogância é preciso que ela tenha em si algo de razoável, algo de válido. Não adianta supor-se maior que alguém e, a partir dessa suposição, desprezar quem quer que seja. Existe uma diferença entre o arrogante e o presunçoso, e ela está nas razões de seu uso. O presunçoso - e defino aqui livremente, como quem comprou um dicionário em branco e começou a preencher os verbetes com definições particulares, um Samuel Johnson mais ousado - tem tão inflado o ego que ele expande as paredes internas do fígado até que o órgão esteja tão grande que comprima o coração à implosão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arrogante carrega em si um charme, que é o controle de sua própria arrogância apenas até a implosão dos órgãos menos necessários, como o estômago e os intestinos, mantendo o coração intacto*. O arrogante respeita uma bela mulher pelo fato de ela ser bela, e se apieda de uma mulher feia justamente por isso. Não deixa de se achar superior, e de dizer isso - mas é uma superioridade que não incomoda, porque a presença do coração é, de fato, superior à presença do fígado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Às vezes, graças à implosão do pulmão esquerdo, o coração até se expande um pouco, gerando o que chamo originalmente de homens-bons: pessoas que não ligam para as coisas alheias, até que elas precisem de atenção, fruto desse coração super-desenvolvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-7500109723276187854?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/12/para-que-se-respeite-arrogncia-preciso.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-5279247433802774472</guid><pubDate>Sat, 29 Nov 2008 18:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-29T15:04:35.933-03:00</atom:updated><title>Coisas de Colombo</title><description>&lt;a href="http://br.youtube.com/user/cartoonage"&gt;Isto&lt;/a&gt;, que é o perfil do provável melhor (ou mais interessante, sei lá) cartunista do youtube; &lt;a href="http://giselenaarea.blogspot.com/"&gt;este&lt;/a&gt;, que é o provável melhor blog de futebol de todos os tempos; &lt;a href="http://qchose.wordpress.com/2008/10/15/os-piores-escudos-de-times-de-futebol-parte-11/"&gt;esta série&lt;/a&gt;, que inclui os escudos do time da minha cidade e do da cidade vizinha (partes 5 e 4), mas não por isso; &lt;a href="http://aleapopculture.blogspot.com/search/label/lookalikes"&gt;esta série&lt;/a&gt;, de um blog que assinei só por causa dela, mas tem mais coisas; &lt;a href="http://www.michaelhaldane.com/kleinzaches.htm"&gt;este livro&lt;/a&gt;, do E.T.A. Hoffmann; &lt;a href="http://bookglutton.com/"&gt;este trocinho de e-books&lt;/a&gt;, onde você pode fazer upload do seu, ler os dos outros e violar direitos autorais, e onde eu violei os de &lt;a href="http://bookglutton.com/reader/unbound?group_id=0&amp;id=1167&amp;view=ub"&gt;Ítalo Calvino&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://bookshelvesofdoom.blogs.com/bookshelves_of_doom/the_big_read_rebecca/"&gt;todas&lt;/a&gt; as &lt;a href="http://bookshelvesofdoom.blogs.com/bookshelves_of_doom/the_big_read_ii_i_claudius/"&gt;big&lt;/a&gt; &lt;a href="http://bookshelvesofdoom.blogs.com/bookshelves_of_doom/the-big-read-iii-a-tale-of-two-cities/"&gt;reads&lt;/a&gt;, e a capa do livro &lt;a href="http://bookshelvesofdoom.blogs.com/bookshelves_of_doom/the-big-read-iv/"&gt;desta&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c2/Catharanthus_roseus_white_CC-BY-SA.jpg"&gt;esta flor&lt;/a&gt;, que descobri lendo aleatoriamente sobre metabolismo secundário, e que produz substâncias que podem prevenir o câncer e curar a leucemia infantil, ou algo parecido com isso; &lt;a href="http://users.sa.chariot.net.au/~gmarts/easter.htm"&gt;a tabela da Páscoa até 4099&lt;/a&gt;, quando estarei comemorando 2112 anos, e &lt;a href="http://www.smart.net/~mmontes/ec-cal.html"&gt;um site&lt;/a&gt; em que você pode calcular bem mais longe, quando já estarei morto (e, portanto, não me importo); meus &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=5024476&amp;sid=970119254101129574267807174&amp;k5=317CABC1&amp;uid="&gt;presentes&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2516152&amp;sid=970119254101129574267807174&amp;k5=129515DC&amp;uid="&gt;natal&lt;/a&gt;, que eu sei que vocês vão me dar, porque me amam. E um &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=vE2lY7i5TPo"&gt;vídeo do BJ Thomas&lt;/a&gt;, que vai fazer um show em Recife e eu não vou por falta de companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora dá licença, que vou me tornar o quinto leitor d'O Senhor dos Anéis que não gosta simultaneamente de RPG.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-5279247433802774472?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/11/coisas-de-colombo.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-3832757870075756615</guid><pubDate>Wed, 26 Nov 2008 15:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-29T15:18:03.627-03:00</atom:updated><title>Não entendo mulheres com camisas da playboy</title><description>Você não é uma coelhinha. A menos que seja - nesse caso, prazer, meu nome é Gustavo. Não sou rico, mas serei um dia. Prometo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda que seja, pra quê a camisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A menos que você seja a Cláudia Ohana. Nesse caso, pra quê tirar a camisa?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito da Cláudia Ohana, deixa eu falar da reforma agrária, que eu prometi ao &lt;a href="http://nottupy.blogspot.com/"&gt;Fábio&lt;/a&gt; (&lt;a href="http://www.have_no_sense.blogger.com.br/claudia%20ohana%201.jpg"&gt;Cláudia Ohana&lt;/a&gt; -&gt; &lt;a href="http://br.geocities.com/mcrost14/cuba001_3_plantacao_de_fumo.jpg"&gt;Plantação&lt;/a&gt; -&gt; &lt;a href="http://brasil.indymedia.org/images/2007/10/400312.jpg"&gt;Reforma Agrária&lt;/a&gt;. Tudo a ver, não me acusem de mudar de assunto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o que vou escrever é uma resposta ao &lt;a href="http://jorgenobre.unblog.fr/2008/11/14/reforma-agraria-da-pra-levar-a-serio/"&gt;post do Jorge Nobre sobre a reforma agrária&lt;/a&gt;, que fiquei sabendo que existia por causa &lt;a href="http://nottupy.blogspot.com/2008/11/redirect_21.html"&gt;deste post&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu post, Jorge Nobre (acho o nome dele muito mais maneiro que o meu, Gustavo "Profissão de Pobre" Ferreira) diz que não leva a sério cinco assuntos. Um deles a reforma agrária. Dos cinco, levo a sério três: a reforma agrária, o racismo e outro que é tão sério que prefiro deixar que profissionais comentem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, ele diz que a vida de lavrador é sofrida, e que a reforma agrária perpetuaria esse sofrimento ao manter no campo alguém que teria mais suporte numa favela que num roçado. Claro. Nada mais evidente e eu seria o último a negar - que não sou cego nem míope sabe bem meu oculista. O que me motiva a levar a sério a questão agrária é, na verdade, a noção de que, se vícios não são crimes, tampouco é crime a burrice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavrador A - chamemos de Romeriano - quer viver das terras de seu pai que foram griladas há 70 anos? Nada mais justo. Romeriano &lt;em&gt;pode&lt;/em&gt;, sim, querer as terras de volta. Terra grilada, afinal, é terra roubada, e não é o passar das gerações que descaracteriza o roubo. Além disso, Romeriano gosta da vida no campo, gosta de andar a cavalo, gosta de calejar as mãos com enxada. Se pudesse escolher qualquer tipo de vida, naturalmente, seria um fazendeiro milionário. Mas, dentre as opções que tem, escolheu essa. Entre "feder numa favela" e "feder no campo" ele prefere o campo - pelo menos o ribeirão não pára de correr, como pára a água da torneira toda semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um problema do texto do Jorge Nobre é que ele assume que todo mundo prefere ter assistência médica &lt;em&gt;e&lt;/em&gt; dengue a não ter nenhum dos dois. O problema do Jorge Nobre é assumir que as &lt;em&gt;opções&lt;/em&gt; dele para viver são mais racionais que as dos lavradores, que querem sofrer no campo. Se eu tivesse que escolher, escolheria uma favela cheia de lan houses. Meu pai, engenheiro agrônomo, tenho certeza escolheria ser lavrador. A questão aqui não é simplesmente &lt;em&gt;o que é melhor&lt;/em&gt;, mas &lt;em&gt;o que é melhor pra quem&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, se a sugestão dele aos esquerdistas fosse levada a sério - se ele acha de fato mais racional que o governo treine todos os lavradores em alguma profissão -, as vantagens dessas profissões aos poucos sumiriam, já que o excesso de oferta suplantaria a demanda e empurraria os salários pra baixo. Aí adeus à casinha na favela: vai pra baixo do viaduto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estou dizendo aqui que &lt;em&gt;o governo&lt;/em&gt; tenha que fazer algo. Francamente, por mim o governo explodia em milhões de pedacinhos. Tantos que nem o recordista mundial de quebra-cabeças montaria de novo. O problema é que sem essa ressalva iam me chamar de comunista ou sabe Deus o quê. Todo mundo devia perceber quando alguém &lt;em&gt;não diz&lt;/em&gt; algo, mas a mania do povo é inferir: quando concordam com a idéia geral, inferem algo de bom; caso contrário, (fazer o quê, essas pessoas são previsíveis) acontece o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu acho é que não é burrice que alguém lute pelo que quer, pelo seu desejo mais imediato. No Brasil, e é impossível encontrar &lt;em&gt;qualquer fonte confiável que negue&lt;/em&gt;, grande parte das propriedades foi adquirida (ao menos parcialmente) através de algum crime - alguns conseguiram grilando, outros foram empurrando a cerca mais pra lá, outros usaram trabalho escravo pra lucrar mais e comprar mais terras, outros, ainda, tiveram vantagens políticas etc. Não acho que falte, em nenhum dos casos, qualquer elemento que justifique um pedido de expropriação ou mesmo uma invasão, em alguns casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que eu acho é que a comparação que o Jorge Nobre faz &lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;Quantos progressistas estarão dispostos a trocar seus empregos de advogados, jornalistas, professores ou marajás do serviço público para ser um lavrador dono de um pedacinho de chão e plantar para ter o que comer?&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt; é vergonhosamente falaciosa. Porque os lavradores não são advogados, jornalistas, professores ou marajás do serviço público. Eles são &lt;em&gt;pobres&lt;/em&gt;, e a opção que eles têm é 1. ser pobre no campo ou 2. ser pobre na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, deixando de lado o texto do Jorge Nobre, o que eu acho errado - e não quero que me confundam - são os critérios adotados no Brasil pra fazer reforma agrária. Em primeiro lugar, o critério de "terra improdutiva". Não é porque eu não produzo nada que aquela terra deixa de ser minha. Não é legítimo que toda terra tenha que produzir. O critério que aceito como válido possibilita a invasão até de terras produtivas, desde que tenham sido adquiridas de maneira irregular (em relação ao princípio de homestead).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, a estatização do assunto é o maior contra do movimento agrário no Brasil. Porque 1. o governo é o maior proprietário de terras ilegais e 2. os membros e/ou amigos do governo estão em segundo lugar. O movimento pela reforma agrária deve lutar &lt;em&gt;contra&lt;/em&gt; o governo, e não com ele. Não faz sentido aliar-se ao maior dos inimigos para enfrentar um ou outro peixinho pequeno. A contradição está no fato de que você está fingindo não ver que o governo é seu inimigo, e a inconsistência no fato de que você jamais vai conseguir quantidades significativas de terras quando a maior parte delas está nas mãos de seu aliado ou de amigos íntimos dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente eu tenho muito mais a dizer, até porque a questão agrária, ao lado de mais um ou dois pares de assuntos, é dos mais complexos temas na doutrina liberal, mas eu já escrevi demais - repare nos calos de meus dedos - e não acho que tenho disposição para outro parágrafo.&lt;br /&gt;____&lt;br /&gt;A propósito, clique no título.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-3832757870075756615?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/11/no-entendo-mulheres-com-camisas-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-1198585230513513979</guid><pubDate>Fri, 21 Nov 2008 23:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-24T19:09:58.427-03:00</atom:updated><title>John Green</title><description>John Green parece conhecer tudo o que é divertido/interessante, e parece saber que tudo o que é divertido/interessante não interessa/diverte "aos outros". Por exemplo, ele e eu achamos muito interessantes Shakespeare, O Apanhador no Campo de Centeio, Rabelais, últimas palavras, anagramas, The Royal Tenenbaums, prodígios, meninas inteligentes/modestas/meio clichês, mas naturais, amizades desinteressadas &lt;em&gt;da maneira certa&lt;/em&gt;, gráficos sobre &lt;em&gt;dumpees e dumpers&lt;/em&gt;, revistas de fofocas nas mãos das meninas interessantes, bebidas, cigarros, ar-condicionados, PG Porn, inocência, inocência masculina, matemática (o lado bom dela), a relevância como tema, o interior, &lt;em&gt;high school&lt;/em&gt;, romances (os livros, mesmo), &lt;em&gt;fug e fugger&lt;/em&gt;, o sotaque do sul, Melville (&lt;em&gt;ok, Melville, I know the internal anatomy of a whale. Now move on&lt;/em&gt;), aulas de religião interessantes, aulas de francês tediosas, morte, velhos simpáticos/sábios, &lt;em&gt;road trips&lt;/em&gt; em carros velhos, muçulmanos adolescentes, peças que faltam, meninas interessantes filhas de mães milionárias, nerd gordo, muito nerd magro de óculos, meninas interessantes gostosas, adolescentes poliglotas (onze idiomas), citações em árabe, em grego, em latim, em alemão, todas traduzidas, um apêndice sobre matemática, divisor de águas, o grande talvez, o labirinto, fixação por nomes, K-19, &lt;em&gt;Katherine The Great&lt;/em&gt;, o começo do começo, o meio do começo, o fim do começo, &lt;em&gt;before, after. Nothing is the same&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-1198585230513513979?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/11/john-green.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-5526653759082451053</guid><pubDate>Wed, 19 Nov 2008 14:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-19T12:03:55.114-03:00</atom:updated><title>Gone With The Times</title><description>Com Franklin Martins (Scarlett O'Hara), João Pedro Stédile (Ashley Wilkes), William Bonner (Rhett Butler) e Patrícia Poeta (Melanie Hamilton).&lt;br /&gt;____&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após viver uma infância feliz, apaixonada por João Pedro Stédile, Franklin Martins perde tudo durante a guerra - seu pai enlouquece, e morre depois, e sua mãe morre sem nem enlouquecer; sua terra é queimada -, passa fome, embora seja ela mesma uma grande proprietária, e, desesperada, sem meios além da coragem, faz a jura mais famosa do cinema, enquanto pega em suas mãos a terra:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"A QUESTÃO AGRÁRIA! O governo é testemunha! Mesmo que eu precise invadir, roubar e matar: jamais passarei fome novamente! Ah, a questão agrária! Não funciona porque dão a terra, mas não dão os incentivos! Com o governo por testemunha!" &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Desesperada, sem ter o que comer, Franklin Martins encerra com essa fala a primeira parte do filme, convenientemente dividido por um intervalo para pipocas e reflexão sócio-político-ético-econômica da reforma agrária. A pipoca vendida no cinema feita de milho colhido nos assentamentos, o público tocado pelo valor da discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, Franklin Martins, que vira seu amado se casar com Patrícia Poeta ainda no começo do filme, casa-se com William Bonner, jornalista multimilionário e antigo freqüentador da casa de Mme. Fátima Belle, endinheirada meretriz da cidade. A essa altura todo o idealismo já morreu, e Franklin Martins rege seu comportamento de acordo com o que é mais lucrativo. Durante a secessão, reforma agrária não era lucrativa: Franklin abandona a causa, mas exige que seu marido .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Bonner, Franklin dá à luz uma linda menina, Maísa, que é tão bela quanto atentada. Tão atentada que morre como morreu o seu avô: tentando saltar com o cavalo (pônei, no caso) e se acidentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franklin Martins sofre por mais algumas horas, até aprender com a morte de Patrícia Poeta que não somente amava o dinheiro de Bonner: amava também o próprio Bonner. E que o que sentia por João Pedro Stédile não era amor, mas &lt;em&gt;sabe Deus o quê&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonner parte ao vê-la abraçando, em desespero, o rival. Quando se reencontram, já em casa, Bonner está arrumando as malas para ir embora para sempre. Franklin decide, então, engolir todo o orgulho e declarar o seu amor. Pergunta o que vai ser de sua vida sem ele. Sério, Bonner declama a mais famosa das frases já proferidas no cinema&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Franklin Martins, I don't give a damn!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;E parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-5526653759082451053?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/11/gone-with-times.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-7335393255714825289</guid><pubDate>Fri, 14 Nov 2008 09:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-14T07:11:15.045-03:00</atom:updated><title>Nova Zelândia, um lugar pra se viver melhor</title><description>"In New Zealand, sheeps outnumber people by 15 to 1".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Brazil, they &lt;em&gt;outwit&lt;/em&gt; people by dozens to 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;That's high IQ, baby.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-7335393255714825289?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/11/nova-zelndia-um-lugar-pra-se-viver-bem.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-8032686299021504417</guid><pubDate>Sat, 01 Nov 2008 21:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-01T20:14:26.434-03:00</atom:updated><title>One hundred nine days before</title><description>&lt;em&gt;Extraído de &lt;/em&gt;Looking for Alaska&lt;em&gt;, de John Green. Esse é o sétimo dia narrado, acho. Também acho que vocês deviam todos comprar esse livro, mas já é outra história. E leiam tudo, que deu muito trabalho transcrever.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DINNER IN THE CAFETERIA&lt;/b&gt; the next night was meat loaf, one of the rare dishes that didn't arrive deep-fried, and, perhaps as a result, meat loaf was Maureen's greatest failure - a stringy, gravy-soaked concoction that did not much resemble a loaf and did not much taste like meat. Although I'd never ridden in it, Alaska apparently had a car, and she offered to drive the Colonel and me to McDonald's, but the Colonel didn't have any money, and I didn't have much either, what with constantly paying for his extravagant cigarette habit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So instead the Colonel and I reheated two-day-old bufriedos - unlike, say, french fries, a microwaved bufriedo lost nothing of its taste or its satisfying crunch - after which the Colonel insisted on attending the Creek's first basketball game of the season.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Basketball in the fall?" I asked the Colonel. "I don't know much about sports, but isn't that when you play football?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The schools in our league are too small to have football teams, so we play basketball in the fall. Although, man, the Culver Creek football team would be a thing of beaty. Your scrawny ass could probably start at lineman. Anyway, the basketball games are great."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I hated sports. I hated sports, and I hated people who played them, and I hated people who whatched them, and I hated people who didn't hate people who whatched or played them. In third grade - the very last year that one could play T- ball - my mother wanted me to make friends, so she forced me onto the Orlando Pirates. I made friends all right - with a bunch of kindergartners, which didn't really bolster my social standing with my peers. Primarily because I towered over the rest of the players, I nearly made onto the T-ball all star team that year. The kid who beat me, Clay Wurtzel, had one arm. I was an unusually tall third grader with two arms, and I got beat out by kindergartner Clay Wurtzel. And it wasn't some pity-the-one-armed-kid, either. Clay Wurtzel could flat out &lt;em&gt;hit&lt;/em&gt;, whereas I sometimes struck out even with the ball seating on the tee. One of the things that appealed to me most about Culver Creek was that my dad assured me there was no PE requirement.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"There's only on time when I put aside my passionate hatred for the Weekday Warriors and their country-club bullshit," the Colonel told me. "And that's when they pump up the air-conditioning in the gym for a little old-fashioned Culver Creek basketball. You can't miss the first game of the year."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As we walked toward the airplanehangar of a gym, which I had seen but never even thought to approach, the Colonel explained to me the most important thing about our basketball team: They were not very good. The "star" of the team, the Colonel said, was a senior named Hank Walsten, who played power foward despite being five-foot-eight. Hank's primary claim to campus fame, I already knew, was that he always had weed, and the Colonel told me that for four years, Hank started every game without ever once playing sober.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"He loves weed like Alaska loves sex," the Colonel said. "This is a man who once constructed a bong using only the barrel of an air rifle, a ripe pear, and an eight-by-ten glossy photograph af Anna Kournikova. Not the brightest gem in the jewelry shop, but you've got to admire his single-minded dedication to drug abuse."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;From Hank, the Colonel told me, it went downhill untill you reached Wilson Carbod, the starting center, who was almost six feet tall. "We're so bad," the Colonel said, "we don't even have a mascot. I call us the Culver Creek Nothings."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"So they just suck?" I asked. I didn't quite understand the point of watching your terrible team get walloped, though the air-conditioning was reason enough for me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oh, they suck," the Colonel replied. "But we always beat the shit out of the deaf-and-blind school." Apparently, basketball wasn't a big priority at the Alabama School for the Deaf and Blind, and so we usually came out of the season with a single victory.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When we arrived, the gym was packed with most every Culver Creek student - I noticed, for instance, the Creek's three goth girlsreapplying their eyeliner as they sat on the top row of the gym's bleachers. I'd never attended a school basketball game back home, but I doubted the crowds there were quite so inclusive. Even so, I was surprised when none other than Kevin Richman sat down on the bleacher directly in front of me while the opposing school's cheeleading team (their unfortunate school colors were mud-brown and dehydrated-piss-yellow) tried to fire up the small visitors' section in the crowd. Kevin turned around and stared at the Colonel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Like most of the other guy Warriors, Kevin dressed preppy, looking like a lawyer-who-enjoys-golfing waiting to happen. And his hair, a blond mop, short on the sides and spiky on top, was always soaked ithrough with so much gel that it looked perennially wet. I didn't hate him like the Colonel did, of course, because the Colonel hated him on principle, and principled hate is a hell of a lot stronger than "Boy, I wish you hadn't mummified me and thrown me into the lake" hate. Still, I tried to stare at him intimidatingly as he looked at the Colonel, but it was hard to forget that this guy had seen my skinny ass in nothing but boxers a couple weeks ago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"You ratted Pul and Marya. We got you back. Truce?" Kevin asked.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I didn't rat tyhem out. Pudge here &lt;em&gt;certainly&lt;/em&gt; didn't rat them out, but you brought him in your fun. Truce? Hmm, let me take a poll real quick." The cheerleaders sat down, holding their pompoms close to their chest as if praying. "Hey, Pudge," the Colonel said. "What do you think of a truce?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"It reminds me of when the Germans demanded that the U.S. surrender at the Battle of the Bulge," I said. "I guess I'd say to this truce offer what General McAuliffe said to that one: Nuts."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Why would you try to kill this guy, Kevin? He's a genious. Nuts to your truce."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Come on, dude. I know you ratted them out, and we had to defend our friend, and now it's over. Let's end it." He seemed very sincere, perhaps due to the Colonel's reputation for pranking.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I'll make you a deal. You pick one dead American president. If Pudge doesn't know that guy's last words, truce. If he does, you spend the rest of your life lamenting the day you pissed in my shoes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"That's retarded."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"All right, no truce," the Colonel shot back.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fine. Millard Fillmore," Kevin said. The Colonel looked at me hurriedly, his eyes saying, &lt;em&gt;Was that guy a president?&lt;/em&gt; I just smiled.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"When Fillmore was dying, he was super hungry. But his doctor was trying to starve his fever or whatever. Fillmore wouldn't shut upabout wanting to eat, though, so finally the doctor gave him a tiny teaspoon of soup. And all sarcastic, Fillmore said, 'The nourishment is palatable,' and then died. No truce."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kevin rolled his eyes and walked away, and it occurred to me that I could have made up any last words for Millard Fillmore and Kevin probably would have believed me if I'd used that same tone of voice, the Colonel's confidence rubbing off on me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"That was your first badass moment!" The Colonel laughed. "Now, it's true that I gave you an easy target. But still. Well done."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Unfortunately for the Culver Creek Nothings, we weren't playing the deaf-and-blind school. We were playing some Christian school from downtown Birmingham, a team stocked with huge, gargantuan apemen with thick beards and a strong distaste for turning the other cheek.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At the end of the first quarter: 20-4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And that's when the fun started. The Colonel led all of the cheers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cornbread!" he screamed.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"CHICKEN!" the crowd responded.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rice!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"PEAS!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And then, all together: "WE GOT HIGHER SATs."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hip Hip Hip Hooray!" the Colonel cried.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"YOU'LL BE WORKIN' FOR US SOMEDAY!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The opposing team's cheerleaders tried to answer our cheers with "The roof, the roof, the roof is on fire! Hell is in your future if you give in to desire," but we could always do them one better.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Buy!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"SELL!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Trade!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"BARTER!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"YOU'RE MUCH BIGGER, BUT WE ARE SMARTER!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When the visitors shoot a free throw on most every court in the country, the fans make a lot of noise, screaming and stomping their feet. It doesn't work, because players learn to tune out white noise. At Culver Creek, we had a much better strategy. At first, everyone yelled and screamed like in a normal game. But then everyone said, &lt;em&gt;"Shh!"&lt;/em&gt; and there was absolute silence. Just as our hated opponent stopped dribbling and prepared for his shot, the Colonel stood up and screamed something. Like:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"For the love of God, please shave your back hair!" Or:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I need to be saved. Can you minister to me after your shot?!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toward the end of the third quarter, the Christian-school coach called a time-out and complained to the ref about the Colonel, pointing at him angrily. We were down 56-13. The Colonel stood up. "What?! You have a problem with me!?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The coach screamed, "You're bothering my players!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"THAT'S THE POINT, SHERLOCK!" the Colonel screamed back. The ref came over and kicked him out of the gym. I followed him.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I've gotten thrown out of thirty-seven straight games," he said.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Damn."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Yeah. Once or twice, I've had to go really crazy. I ran onto the court with eleven seconds left once and stole the ball from the other team. It wasn't pretty. But, you know. I have a streak to maintain."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Colonel ran ahead of me, gleeful at his ejection, and I jogged after him, trailing in his wake. I wanted to be one of those people who have streaks to maintain, who scorch the ground with their intensity. But for now, at least I knew such people, and they needed me, just like comets need tails.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Devo avisar aos que leram até aqui - todo mundo leu, né? - que eu quase não consigo parar de ler esse livro, mesmo tendo muitas coisas inúteis, mas importantes, pra fazer (como trabalhos da faculdades) - e precisei me estapear e bater minha cabeça contra a parede de casa pra parar de rir e de ler. Sério. Quão bom John Green pode ser? Muito. Leia mais dele na &lt;a href="http://www.amazon.com/gp/reader/0525478183/ref=sib_dp_bod_ex?ie=UTF8&amp;p=S00R#reader-link"&gt;amazon&lt;/a&gt; (esse aí é o último livro que ele lançou, que ainda sai por 40 e poucos reais e que não posso comprar ainda. Mas em breve, muito em breve, comprarei. E ficarei rindo de todos os que não possuem &lt;/em&gt;Paper Towns&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-8032686299021504417?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/11/one-hundred-nine-days-before.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-4951378196554548374</guid><pubDate>Sat, 25 Oct 2008 21:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-26T19:36:46.731-03:00</atom:updated><title>Acossado</title><description>Acordou e viu o mundo balançando tão ferozmente que logo notou o óbvio: estava dentro de um filme de Godard. Tentou em vão bater na tela, sair de lá. Não havia tela. Não queria que sua vida o deixasse tonto como os filmes do francês faziam com ele. Seus olhos não podiam mais fixar-se em nada, ficavam sempre inquietos, e qualquer imagem que tentasse enquadrar saia logo de quadro, porque de alguma forma seu pescoço não tinha mais força para manter em pé sua cabeça por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobreviveu ao primeiro dia, ao segundo e ao terceiro. Temia que tudo fosse piorar, mas aos poucos se acostumou com a idéia de não manter parado o pescoço e ver o mundo balançando, embora - diga-se a verdade - tudo aquilo lhe rendesse fortes dores de cabeça e dificultasse incrivelmente seu maior passatempo, a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava afinal satisfeito com a estabilidade que sua doença adquiria, pois ouvira dizer de gente que acordava com a vozinha de Jean Seberg narrando o seu dia com aquela vozinha francesa que se tornava insuportável após poucos minutos. Os casos que evoluiam assim terminavam inevitavelmente em loucura ou suicídio - e dos suicidas não temos como colher depoimentos, mas os loucos estavam todos satisfeitos com sua nova situação. Temia todos os dias acordar com a narração da jovem e, pior, não a veria, não a tocaria. Não seria possível nenhum contato: ela mera narradora da sua vida. Quanto à narração, havia três tipos, geralmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Ela narrava em francês, e só era possível entender o que ela dizia porue tudo o que ela dizia era justamente o que o doente fazia, passo a passo, numa monotonia infinita. Essa variedade da doença, a primeira a surgir, tinha a princípio a vantagem de ensinar ao acometido o idioma francês, e por isso costumava só enlouquecer a vítima depois que o domínio do idioma já fosse completo, justamente por conta da irrelevância de tudo o que dizia a moça;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A narração era dublada em português, mas de alguma forma a voz e a entonação da atriz permaneciam inalteradas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. A narração era em francês, mas vinha acompanhada por legendas mal escritas. Esta, certamente a forma mais fatal da doença, tinha como agravante a capacidade de ensinar mau francês ao doente, que trocava todas as expressões por algum termo semanticamente distante. Quando o doente descobria que tudo o que a doença lhe fizera de útil era, na verdade, prejudicial à própria realidade, era invariável: matava-se. Eis a única modalidade da doença da qual não restou um único exemplar para estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pesquisou intensamente na internet e em toda a bibliografia disponível sobre o Mal de Godard, e descobriu que o que eles chamavam de "distorção imagético-narrativa" não era, de fato, delírio, mas manifestações físicas comprovadas, e o motivos de apenas os doentes ouvirem as narrações (que podiam ser percebidas por freqüencímetros) eram misteriosos, mas o mundo tremia por causa de uma "instabilidade retno-palpebrática" aliada a um enfraquecimento dos nervos supraclaviculares que estavam em estudo na universidade estadual, mas cujas origens eram desconhecidas e cujo tratamento era desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisou, como o pai de Lorenzo, apesar de toda sua dificuldade para ler, todas as possibilidades de cura. Não havia saída em lugar algum. Afinal, resolveu fazer o que nunca fizera antes: assistir a "À bout de suffle" para entender o que poderia ter causado tamanha inquietude na câmera de suas retinas ou nos nervos de seu pescoço. O filme era comum: qualquer coisa de monótono, qualquer coisa de tipicamente francês. No fim do filme, não agüentando mais a voz da jovem e bela atriz, disparou dois tiros na televisão, na esperança de matá-la. Perdeu a televisão, mas manteve a doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Resta-me uma alternativa", pensou, despejou Veronal veia adentro, numa tentativa irônica de morrer como morrera quem causava sua morte. Estava curado, o mundo não tremia mais. Em pouco tempo o mundo deixou de existir completamente, e o alívio antecedeu o fim. Era, afinal, melhor morrer que viver num filme de Godard. Um sorriso franco estampou os jornais do dia seguinte, e a fotografia quase dava vontade em quem quer que o visse de acompanhá-lo na sua jornada. Mas não há motivos pra fugir da vida quando ela é simplesmente a vida, e não um filme de Godard.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-4951378196554548374?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/10/acossado.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-7284293336864823720</guid><pubDate>Sat, 18 Oct 2008 13:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-18T10:29:51.802-03:00</atom:updated><title>A cigarra e a formiga</title><description>- É de lebre, vô?&lt;br /&gt;- Cem porcento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o velhinho colocou sobre a cabeça do neto o chapéu de pele escura, muito largo para a cabeça do menino, cobrindo parte dos olhos e da nuca. Desajeitado, o menino beijou o avô na calva e, com o seu novo chapéu, partiu em busca de aventuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre o impressionou a velocidade com que ele e seu avô convergiam em tamanho. Ele crescia na medida em que o pai de seu pai encolhia, e seu maior medo era que, em oito anos, seu avô não fosse mais que um bebê, e todas as histórias que ele contava hoje ficassem guardadas para sempre em sua cabecinha infantil - em oito anos, pelo menos, acho que nem vou mais querer ouvir nada dele -, consolava-se, sem piedade, mas inocentemente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo do menino agora era reproduzir com o chapéu do seu avô tudo o que seu avô teria feito tivesse conseguido aquele chapéu na sua idade. Agora, com o passo de seu avô já lento, ele correria a cavalo por toda aquela plantação de soja e sorgo para honrar o menino que foi aquele velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse objetivo durou poucos dias. Quando seu avô lhe contara que caçara onças, que pescara tucunarés, que entrara escondido pela porta de trás do cinema, tudo isso parecia divertido. Tentou sem sucesso reproduzir. Agora era tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As onças continuavam por lá, esperando uma bala de chumbinho. Também os tucunarés nadavam pelo riacho no mesmo ritmo de há sessenta anos, e o cinema continuava ali. Pião, cavalo, subir no limoeiro desviando dos espinhos, nada mais fazia sentido. Seu avô continuava sentado, e achava bonita a inocência do neto. Quando viu que o menino não se interessava mais em colher a mais linda goiaba do pé, ou em brincar de caverna sob a gruta que formava entre seus galhos o pé de carambola, chamou o menino para uma conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me devolve o chapéu, que você tem cabelo pra te proteger.&lt;br /&gt;- Tó, vô.&lt;br /&gt;- Meu filho, que aconteceu que você desanimou tanto?&lt;br /&gt;- Nada, vô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso o avô falava num tom compreensivo, e o menino respondia com vergonha de não ser como o homem que mais admirava, e por vê-lo à sua frente sabendo que ninguém jamais reproduziria o que ele tinha feito. E o tempo deste parágrafo foi silêncio, rompido pelo menino:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, vô? Eu sempre quis fazer tudo o que o senhor fez. Sempre quis pular cercas, correr atrás de coelhos, caçar onças. Não sou bom em nada disso, vô. Tô pensando em desistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava triste como nunca estivera, como se houvesse morrido sua esperança de ser bom em tudo o que mais admirava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que importa se você é incapaz de fazer o que eu fiz? É justamente por ser incapaz que você me admira, meu filho, e agradeço a Deus por ter um neto tão diferente de mim, tanto em gosto quanto em habilidades. Pois veja que, na época, isso era tudo o que eu podia fazer, tudo o que eu sabia fazer. Nunca me admirei por ter caçado mais onças, mas admirava intensamente seu tio Léo, que assobiava melhor que uma cotovia, enquanto eu não fazia som algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas assobiar é fácil, vô! Não tem nenhum mérito nisso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O homem, meu filho, nunca dá valor ao que sabe fazer, mas acha valorosos os feitos dos outros. Não direi pra você parar de pensar assim, mas, ao contrário, peço que continue achando que tudo o que você faz é medíocre, mas que tente sempre fazer esse medíocre parecer bom. Sempre tente melhorar. Porque em tudo é possível ser bom, e no que é bom um homem honrado não vê tanto valor. Mais vale pra ele aquilo que não sabe fazer, aquilo que não tem habilidade para fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer dizer que eu devo te admirar, mas não tentar te imitar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você não é capaz de fazer o que eu fiz melhor que eu, tente só fazer aquilo em que você é bom. Assim poderemos um admirar o outro, sem jamais termos que nos apiedar do que o outro faz tão mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faz sentido, vô. Mas acho que não consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém consegue, filho, e eu mesmo assobio vez em quando. O homem não se livra da inveja, e imita o bom para superá-lo. Ninguém faz aquilo em que é bom, mas todos fazem o que admiram. Não sei se é um defeito, porque exige coragem, mas é meio estúpido, sim. Vê que teu tio Léo virou cantor, mas prefere cavalgar a ouvir seu próprio canto, e que eu sou fazendeiro, mas me divirto mais quando assobio que quando planto grãos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas se posso assobiar é porque os grãos me dão retorno pra que fique despreocupado e permita que o sopro saia sonoro. E se teu tio tem cavalos foi com notas musicais que ele os comprou. Repito, meu filho: dedique-se àquilo em que você é bom, para que possa fazer aquilo de que gosta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-7284293336864823720?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/10/cigarra-e-formiga.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-21017191.post-5831245303464808022</guid><pubDate>Tue, 14 Oct 2008 23:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-14T22:32:39.804-03:00</atom:updated><title>Sobre um filme que não recomendo</title><description>Todas as vezes que meu coração decide que sim, a humanidade pode ser boa, e que a vida é cheia de surpresas positivas, invariavelmente levo uma rasteira da vida e baixo o facho. Não existem surpresas. As pessoas boas são sempre aquelas que você já imagina, e esperar alguma reação positiva de alguém cujo rosto não denota nenhuma é como esperar que caiam no seu colo, durante uma chuva, gotas de diamante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam bem: digo isso pra que não me chamem de intolerante, para que não me recriminem por endurecer minha alma, e porque precisava de um pretexto grandioso para escrever aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje dei uma chance a um rapaz de mullet. Há meses ele me convidava a participar de um &lt;em&gt;cineclube&lt;/em&gt;, com &lt;em&gt;filmes alternativos&lt;/em&gt;. Como eu mesmo vejo filmes bastante alternativos em relação a gente como, sei lá, meus pais, e acho que são muito bons, pensei que não seria tão mal dar uma chance ao rapaz de mullet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(É importante repetir tanto quanto possível que o rapaz tinha mullet, característica que deveria ter-me feito duvidar de sua integridade em todos os aspectos de sua vida, mas minha tolerância foi mais forte e eu aceitei o convite).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando à sala de exibição descubro que o filme vai ser japonês - fico feliz, pois esperava algo da Tailândia ou do Irã. Entro de bom grado na sala onde será exibido o filme - e não digo o nome, para que vocês, Pandoras, não destruam seus mundos como eu destruí meu dia -, e lá dentro descubro que o filme não só é japonês: é mudo. Ou quase. Ele não tem palavras, porque "filme grande não tem palavras", diz o papelzinho que me entregaram. Tem música e imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ler isso decidi sair, e por alguns instantes meus pés aceitaram caminhar na direção da porta. Mas novamente, contra a natureza, resisti, e fiquei. O resultado é que assisti um filme com centenas de seqüências repetidas, atuações medonhas e tediosas, e história completamente irreal (não que eu ligue para a &lt;em&gt;verdade no filme&lt;/em&gt;, mas eu curto uma certa coerência interna que faltava tanto ao filme que às vezes eu pedia a Deus que jogasse algum nonsense mais engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam bem: os personagens - uma família - moram sozinhos numa ilha sem água potável, e para terem acesso à bebida precisam remar pesadamente até uma ilha próxima, carregar baldes pesadíssimos e subir um morro com os baldes nas costas. Tudo isso para &lt;em&gt;regar a plantação&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tolerável que alguém faça isso para sustentar a si e aos filhos, mas eles iam até o outro lado do mundo pra buscar água para as plantas. Não só isso, mas eles faziam isso para &lt;em&gt;ter lucro&lt;/em&gt;. Se alguém pensar em alguma forma mais improdutiva de ganhar dinheiro, favor colaborar na caixa de comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso é ainda aceitável se o que se quer é mostrar o sofrimento da família e sua luta cotidiana &lt;em&gt;contra a realidade, essa malvada&lt;/em&gt;. Mas esse filme, em uma sala tão alternativa, não seria tão óbvio. É possível pensar numa série de reações razoáveis que a família tomaria tendo em vista a própria situação. Nenhuma delas inclui &lt;em&gt;continuar vivendo do cultivo de arroz e soja numa terra árida e sem acesso à água&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse filme serviu para, novamente, reafirmar na minha frente que os orientais são estúpidos, e basicamente só para isso. Assim como em Amores Expressos, tudo o que restou do filme foi raiva dos personagens. Raiva de serem tão estúpidos. E nem é o tipo de raiva &lt;em&gt;comovente&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;tocante&lt;/em&gt;, ou seja lá qual foi a intenção do diretor. É uma raiva meramente tediosa, que nos faz romper em gargalhadas (e angariar a raiva das &lt;em&gt;pessoas sensíveis&lt;/em&gt; da sala).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles passam um ano para colher três sacas de arroz, perdem um filho, sofrem sob o sol e sob a chuva, e depois de tudo a única decisão a que chegam é que está tudo bem, vamos plantar mais arroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles sequer seguem as regras da natureza, como, sei lá, aquela desenvolvida pelos homens das cavernas de plantar na época de chuva para facilitar a germinação. Eles não tentam acumular água da chuva, e saem para pegar água no córrego da ilha vizinha mesmo sob tempestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema de filmes que tentam analisar o sofrimento humano é que, às vezes, eles analisam o sofrimento de máquinas acerebradas incapazes de um lampejo de inteligência ou criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, com a pura intenção de fazer um filme mudo, assim, &lt;em&gt;sem palavras&lt;/em&gt;, o diretor, tão burro quanto os personagens, abriu mão de qualquer expressão de sentimento em momentos que, num filme de verdade, seriam cruciais. Abriu mão de qualquer relevância ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, como cinema, experiência estética, emocional ou qualquer coisa que alguém pode procurar, com ou sem razão, no cinema (a não ser que se procure o tédio de olhar para a parede, no que a estupidez humana seria superada novamente), esse filme falha intensamente, e penso mesmo que aqueles filmes com retirantes fugindo da seca são mais interessantes, bem construídos,  emocionantes e relevantes que esse filme que vi no cineclube da faculdade. Vejam bem: podem não ser gênios, mas os retirantes têm uma perspectiva, uma intenção, eles quebram a circularidade da rotina e eles não aceitam ser maltratados pela seca. Isso indica resquícios de cérebro ali dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morar, por livre escolha, numa ilha sem água, e não esboçar nenhuma intenção de sair é pura estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, depois de sei lá quantas horas de tortura, mas pareceram muitas, o filme acaba, eu penso que sairei de lá ferido apenas no orgulho da humanidade em geral, e com o direito de fazer exceções para os ocidentais - "ninguém é assim no Brasil", pensava meu coração bondoso - decidiram que não só o filme era digno de tomar nossas vidas: ele merecia uma &lt;em&gt;discussão&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, sinceramente, se é possível discutir sobre a repetição infinita de burrice mais do que desprezá-la e partir, mas eles disseram que sim. A primeira pergunta me fez gargalhar mais que uma das cenas mais engraçadas da história*: "Alguém aqui chora no cinema?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais coisas se seguiram:&lt;br /&gt;"Acho muito emocionante a cena da terra absorvendo a água";&lt;br /&gt;"O filme todo é uma metáfora";&lt;br /&gt;"É interessante porque isso me lembrou um documentarista brasileiro &lt;em&gt;que ninguém aqui deve conhecer&lt;/em&gt;";&lt;br /&gt;"As cenas são, ao mesmo tempo, muito secas, mas muito líricas, só que de um lirismo muito discreto";&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais meia hora de bullshit. Obviamente não comentei nada, a não ser quando um dos mais emocionados com o filme disse, num tom sério: "Eu sempre &lt;em&gt;me ponho no lugar dos personagens&lt;/em&gt;, e acho que não conseguiria viver nessa ilha só por um motivo: &lt;em&gt;não tem cinema&lt;/em&gt;. Acho que todo mundo aqui acharia terrível", ao que respondi que não moraria na ilha porque não tem água, e que sem cinema eu vivo tranqüilo, veja só, mas sem água fica dificil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se já me irritei alguma vez com um filme, e depois mais ainda com a platéia, certamente a reação de hoje foi mais intensa. Me irritei porque nem para forjar emoção esse tipo de gente - que chamarei aqui de "tipo B" - é competente. Para forjar as próprias emoções eles recorrem a métodos tão artificiais e subjetivos que me fazem ter vontade de cuspir nos seus rostos sensíveis molhados de lágrimas falsas e correr pra caatinga, onde eu cuspiria nos retirantes e de onde voltaria pra casa pra assistir aos filmes que estou baixando, que são melhores e mais inteligentes e têm personagens que não são autômatos, mas, sei lá, seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única comparação que minha mente fazia o tempo todo era com algum tipo de náufrago voluntário, que tinha barco, meios para sair e conhecia o mar, mas fazia questão de ficar ali, naufragado, esperando a morte chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A cena é mais ou menos assim: os pais dos meninos estão voltando da ilha vizinha com água, e um dos meninos, na ilha em que moram, está muito doente. Quando o menino saudável percebe que seus pais vêm ao longe, no mar, nota-se uma dúvida em seu olhar: "Devo gritar para avisá-los para trazer um médico ou somente pedir que venham rápido, abanando o braço como se fosse uma hélice, mas sem demonstrar sentimento algum em meu rosto?" Aí ele se lembra: "Droga, não posso falar. Não &lt;em&gt;neste filme&lt;/em&gt;. Tenho que fazer tudo bem artificialmente, porque não posso deixar transparecer em momento algum que tenho células. Vou balançar meu braço".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pais, com muito esforço, aceleram ao máximo as remadas, chegando à terra poucos minutos depois. Sobem até o barraco onde moram, vêem que o filho está doente e... o pai volta remando [e aqui foi quando estourei], sozinho, para a ilha vizinha, em que existem benesses como energia, água encanada e &lt;em&gt;médicos&lt;/em&gt;, atrás de um representante da última classe citada. Procura retardadamente pelo médico, leva-o até a ilha em que mora e, óbvio, o moleque está morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá pra morrer de gripe quando o médico mais próximo mora do outro lado do mundo. Eles deviam ter percebido que não era uma boa morar ali. Fiquei feliz quando o menino morreu, pensei que, veja só, eles perceberam a desgraça de lugar que ocupam. Mas não. Japoneses jamais entendem coisa alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que muitas das coisas que me fizeram odiar o filme ainda não foram contadas, mas sinto também que jamais serão, porque, olha, este post já está maior do que eu pretendia, e daqui a pouco fica mais chato que o próprio filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21017191-5831245303464808022?l=singelomundo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://singelomundo.blogspot.com/2008/10/sobre-um-filme-que-no-recomendo.html</link><author>noreply@blogger.com (Gustavo)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item></channel></rss>