13 maio, 2006

Viagem

Olá, meu público cativo. Escrevo hoje apenas para avisar que não postarei nada até o dia 5 de maio, provavelmente. Acontece que vou à Irlanda, nesta segunda. Lá conhecerei Wanda (leia Uanda, não Vanda, por favor), uma ruiva com sardinhas nas bochechas muito brancas.
Nós nos apaixonaremos e viveremos um mês do mais lindo amor do mundo. Casaremo-nos e seremos eternamente felizes. Na Irlanda. Mas dia cinco eu volto pra buscar minhas coisas e posto alguma coisa neste blog tão querido.
Dia nove retorno para a Irlanda, pros braços da minha amada Wanda (não me diga que não existem Wandas na Irlanda, leitor sem coração; aceite minha felicidade antecipada e fique feliz por mim). Dia 8 tenho que estar novamente em Recife, porque voltarei a ter aulas na faculdade. Mas a Wanda me aguardará eternamente - ou até eu me formar e voltar correndo pros braços da minha esbelta irlandesa.


Leitor, não me lembre que a viagem que farei será pra Petrolina. É muito deprimente pra mim viver sem a Wanda. E em Petrolina realmente não existem Wandas; o povo petrolinense tem péssimo gosto na escolha de nomes.

01 maio, 2006

O sabor do contra-senso.

Se você está aqui atrás de alguma reflexão profunda sobre desilusão com contra-sensos, vá embora. Vou falar do novo sabor da Fanta.
Chama-se Fanta Discovery e tem sabor de "laranja vermelha". É aí que reside o contra-senso. Fique claro que eu não sabia tratar-se de laranja vermelha, apenas tinha lido "Sabor inédito. Abra e descubra!". Fi-lo e desperdicei um real e vinte centavos. Esses publicitários idiotas me fizeram perder dinheiro. Depois de feita a bobagem que notei a inscrição em letras brancas e reduzidas na parte de baixo da lata "com sabor laranja vermelha". Então entendi o porquê daquele sabor horrível. Algo a que falta lógica até no nome não pode ser bom.
Restou-me como consolo apenas a certeza de que mais pessoas já compraram essa nova fanta achando que é deliciosa. Todos burros como eu. E o pior é a cor da "fanta laranja vermelha do outro lado do mundo para você colorida artificialmente". Ela não é propriamente vermelha, mas é de um tom vermelho-alaranjado aguado que me incomoda. Quer me fazer raiva? Mostre-me algo vermelho-alaranjado aguado. Ganhou um inimigo.
Aliás, acredito que só o novo sabor da fanta consegue ter essa cor tão repulsiva. Eu aturo o verde-musgo, aturo o azul-pombinho, até o vermelho-do-cafeeiro, que não é cor, mas inseto. E eu agüento vê-los. Nem reclamo. Mas vermelho-alaranjado aguado é demais pra mim, desculpe.
Aliás, já não é o primeiro sabor odioso que a fanta lança. É o terceiro, em verdade. Primeiro veio a Fanta Uva, que, por incrível que pareça, tem lá seus adeptos, depois a Fanta Maçã (Deus! Pra quê isso? Pra quê?), que, graças à obra divina, não virou modinha. Agora isso? De todos os sabores de refrigerantes já inventados - e nisso incluo cajuínas e guaranás-maçã - esse é o pior de todos. Simplesmente inaceitável. Ainda bem que a coca não muda nunca.

P.s.: Se lembrarem de mais algum sabor ruim de fanta - excluam-se aqui de antemão o citrus e o mix -, avisem-me. Terei prazer de atualizar o post.

P.p.s.: Meu amigo Frost me lembrou da existência do horripilante sabor morango da Fanta. Não precisava, Frost. Mesmo.

P.p.p.s.: Hoje provei o "Guaraná Kuat com Laranja". Pode sair da cadeira e ir comprar AGORA. Muito bom. A Coca acertou novamente.

P.p.p.p.s.: Nunca fiz tantos p.s. na minha vida.

28 abril, 2006

Pessoas contemporâneas.

A palavra "comtemporâneo" subverte o significado original da cada palavra. A mulher contemporânea, por exemplo, é quase um homem. Motivos:
- Veste calças jeans largadas, rasgadas e manchadas como as de um mecânico;
- Transam com mulheres (necessariamente);
- Falam palavrões;
- Saem de casa pra trabalhar;
- Não têm prendas domésticas - sequer sabem fritar ovos;
- Transam com mulheres de novo;
- Não usam acessórios como brincos e colares; isso é coisa de homem contemporêneo;
- Não ligam a mínima pra aparência;
- Não se acham delicadas;
- Abrem a porta do carro pro(a) parceiro(a);
- Têm tatuagens;
- Transam com mulheres.

Os homens contemporâneos são como as mulheres clássicas:
- Vestem-se elegantemente;
- Transam com homens;
- Nunca falam palavrão;
- Cuidam da casa;
- Apreciam a gastronomia, nome delicado pra culinária, nome disfarçado pra prenda doméstica;
- Transam com homens;
- São todos equipados com brincos, piercings, colares;
- São metrossexuais;
- Muito delicados, dedicam-se às artes;
- Não são cavalheiros;
- Têm tatuagens;
- Transam com homens.

Motivos mais que suficientes pra provar o que eu disse. Subscrevo-me,

Mulher Contemporânea sem tatuagens.

23 abril, 2006

Se eu me chamasse Alaor

Choraria encolhido num canto escuro do meu quarto todos os dias. E brigaria com o meu irmão Odair quando ele entrasse no quarto cantando "Al-Alaor" e jogando confetes e serpentina nas minhas costas encolhidas. E me apresentaria aos outros como Agenor, que é muito mais difícil de parodiar. Seria traumatizado por ter por nome uma marchinha de carnaval e, por isso, odiaria carnaval, samba e qualquer expressão de alegria. Minha única namorada se chamaria Maria, e o nosso namoro acabaria quando alguém cantasse pra ela o "Maria Sapatão", por namorar uma marchinha de carnaval. Irritada, a Mazé - ou Zezé, se preferem assim - cortaria sua cabeleira e acabaria o namoro comigo.
Não consigo imaginar maior desgraça que ter Alaor por nome. Aliás, acho que se eu me chamasse Alaor entraria na justiça por um nome digno. E me registraria como Agenor. Isso se não me matasse antes de poder entrar na justiça, claro, por que acho suicídio algo muito Alaor. Os Alaores que não mudam de nome ou se matam antes dos 19 não merecem respeito. Não são dignos de minha pena, sequer. Alguém que consegue chamar-se Alaor por toda a vida e sem remorsos é ruim da cabeça.
Para provar minha tese, fotos de Alaores aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, alguém que podia ser Alaor aqui e do irmão Odair aqui.

21 abril, 2006

Mestre Raul

Eu prefiro ter aquela velha opinião formada sobre tudo do que ser uma metamorfose ambulante.

20 abril, 2006

Cuidado: Gás é inflamável!

Inscrição no rótulo de um bujão de gás que comprei pra servir de peso para a porta da minha casa. E de banquinho, de cinzeiro, de peso de papel...

É como inscrever em pães "Cuidado: Pão é comestível".

17 abril, 2006

De volta à Civilização.

Estive durante a Semana Santa no sertão pernambucano. E descobri o porquê de o sertão ser tão mal desenvolvido. Lá, pasme, as pessoas não acreditam em Coelhinho da Páscoa. São pessoas más, cruéis e vis que sequer ensinam seus filhos a seguir as pegadas que o Coelho deixa pela casa. Possivelmente eles até apagam as marcas de lama que o Coelho deixa por onde passa, pessoas ordinárias. Esse tipo de gente má, cruel e vil também ensina seus filhos a ser maus, cruéis e vis, quando não os encoraja a acreditar em Coelhinho da Páscoa.
Aposto quanto quiser que eles também não acreditam em Papai Noel. Só em Nego D'Água e Nossa Senhora da Rapadura. Não via a hora de voltar a Recife. Aqui, logo na entrada da cidade, vi três Coelhinhos da Páscoa. Todos de olhos vermelhos e pêlo branquinho - o politicamente correto ainda não atingiu os Coelhinhos da Páscoa de Recife. Em Petrolina, os poucos Coelhos da Páscoa que vi tinham olhos e pêlo pretos. Alguns eram aleijados e outros eram mulheres. Fizeram um trabalho de inclusão social entre os Coelhos da Páscoa petrolinenses, céus! Aposto que eles foram sindicalizados. Suspeito, inclusive, que não eram Coelhos da Páscoa de verdade, mas Sacis-pererês fantasiados, de tão pretos e aleijados que eram. E não entregavam ovos de chocolate pra ninguém, denegriam a imagem dos pobres, dóceis e bondosos Coelhinhos, aqueles malvados, cruéis e vis Sacis-pererês fantasiados.
Mas, como diz o título deste texto, estou de volta à civilização, onde Coelhos da Páscoa ainda cumprem sua função de Coelho da Páscoa. E continuam com olhos vermelhos, pêlo branquinho e barrigudos, depois de comer uma cenoura gigante com casca e tudo.

Leitoras, comam muito chocolate esses dias, por que cenoura engorda, e não queremos vocês gordas, não é?