18 Outubro, 2009

Na Espanha, graças aos muitos esforços do governo para a inclusão social de deficientes e apoio às família numerosas, toda mulher sonha em engravidar de quádruplos deficientes duas vezes por ano. Não sei porque ainda fazem questão de ter uma lei de aborto.

01 Outubro, 2009

Cançao do Exílio

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá
Mas as aves que aqui gorjeiam
Gorjeiam no maior edifício gótico do mundo.

Um ano em Sevilha. Acho que nao me fará muito mal - sinto falta do teclado nacional, entretanto.

19 Setembro, 2009

Uma questão importante:

O que se faz em Lisboa, quando só se tem 20 horas para passear?

23 Agosto, 2009

A Cura Gay

Abriu uma clínica, fez um folheto muito bem ilustrado, com antes e depois, algumas espirais coloridas (mas sóbrias) na borda e uma fonte delicada (mas hétero) foi utilizada para escrever "LIVRE-SE DO HOMOSSEXUALISMO - Dr. Amadeu Ferrara, Psicólogo, telefone etc." em papel couché fosco.

O Dr. Amadeu tinha experiência, já havia curado algumas dezenas de homossexuais, e, recém-chegado à nova cidade (expulso de Mandioquinha do Sul por ameaças dos movimentos gays, algumas das quais incluiam sodomização, embarcou para Cará do Norte, cidade de mentalidade mais aberta, mais receptiva a métodos não ortodoxos), investiu todas as suas economias em equipamentos mais modernos para as sessões de hipnoterapia e eletrochoques.

Com a ajuda de um amigo seu, policial, obteve os tasers a preços módicos, e outro amigo, colega dos tempos de faculdade, lhe emprestou os livros para a estante da recepção - os que tinha deixara em Mandioquinha do Sul, apressado que estava por medo da sodomia, e mandara trazer pela sua irmã, uma militante do partido integralista, mas que só estaria de férias - e, portanto, livre para visitar o irmão - em três meses.

Sua clínica ficava numa casinha colonial no bairro mais antigo da cidade, Louros de César, e em pouco tempo já tinha quase meia dúzia de pacientes - alguns atormentados pela própria dúvida, queriam extinguí-la e tornar-se definitivamente héteros; outros, já gays há algum tempo, queriam se livrar do preconceito que sofriam da família e dos amigos.

Um deles, pertencente ao segundo grupo, foi escolhido pelo Dr. Amadeu como modelo exemplar para provar seu sucesso. Na primeira sessão, com camisa baby-look e lantejoulas, ele sentou com as pernas bem cruzadas, fechadas e apertando sua masculinidade. Ao longo de pouco mais de um mês passou a sentar, com naturalidade, com as pernas abertas - e, para tanto, precisou abandonar as saias, porque ele era gay, mas não indecente. Daí pra heterossexualidade foi um pulo, e em quarenta e cinco dias o Dr. Amadeu já contava com sua primeira cura em Cará do Norte.

O sucesso repercutiu. O paciente, chamado Darcy Monteiro, foi convidado a aparecer em diversos programas sensacionalistas para explicar que era possível, sim, um ex-gay. Que ele já tinha até arrumado uma namorada e que não se arrependia em nenhum momento dos choques que levara na virilha para chegar aonde estava.

A declaração caiu como uma bomba na clínica do Dr. Amadeu. Uma semana depois ele tinha quinze novos pacientes e trinta ameaças fresquinhas. "Dessa vez", pensou, "resistirei às ameaças". E resistiu. Manteve sua clínica com o mesmo sucesso, apesar de viver muito mais recluso depois de tantos dildos enviados a ele pelo correio em tom de ameaça (um deles foi enviado ligado, e quando Amadeu abriu a caixa, ele pulou no rosto do psicólogo, ferindo-lhe gravemente o olho direito).

Depois do incidente, decidiu que precisava de ajuda policial. Relatou as ameaças ao delegado, que não só se recusou a dar-lhe proteção policial, como enviou o caso do Dr. Amadeu ao Ministério Público. O Brasil ficou chocado com as absurdas técnicas do Dr. Amadeu.

Acusado de homofobia - crime recém-estabelecido no país -, Amadeu foi a julgamento, onde ficou famoso pelo discurso que fez em defesa própria, dispensando o advogado. Chamou como testemunhas seus pacientes, e perguntou se em algum momento ele os havia feito algo com o qual não concordavam, ao que todos negaram, dizendo terem sido tratados com toda a dignidade e respeito, e que o próprio Dr. Amadeu os advertiu várias vezes que o processo era doloroso.

Quando questionado sobre o fato de acreditar que a homossexualidade fosse uma doença, respondeu que, "se alterações no humor como bipolaridade e depressão são doenças, não há razão para negar o homossexualismo como doença também". Nesse momento, recebeu uma forte vaia do tribunal e um carão do promotor, que sofria de transtorno bipolar e não queria ser comparado aos gays.

Outro argumento do Dr. Amadeu Ferrara em seu julgamento foi a maioridade de todos os seus pacientes, a ciência que tinham sobre cada etapa do processo (intrincado, o processo de cura do homossexualismo patenteado pelo Dr. Amadeu consistia de sete etapas metodicamente efetivadas ao longo do período de cura do paciente, começando por eletrochoques e afogamentos e culminando invariavelmente com hipnoterapia para lapidação da heterossexualidade). Todos os pacientes aquiesceram, disseram que os choques "nem doíam tanto", e que, se nenhum dos pacientes do Dr. Amadeu havia até então movido processo contra ele, não havia porque o MP mover.

A afirmativa chocou as autoridades GLBT do lugar, que disseram que a "cura" se tratava de crime de homofobia e contra a dignidade da pessoa humana. Gritos de "apoiado" ecoaram no tribunal, e o juiz não fez questão de pedir ordem durante algum tempo, apreciando a vitória dos gays sobre os ex-gays - também estes, obviamente, homófobos.

A sessão terminou desastrosamente. O MP incluiu os pacientes como réus por homofobia, juntamente com a secretária da clínica, processada por "conivência e cumplicidade". Agora as palavras de qualquer um que pudesse defender o pobre psicólogo eram caladas sob a desculpa do interesse pessoal em auto-defesa.

Enquanto o processo corria, o Dr. Amadeu Ferrara teve sua licensa cassada. Ao término do processo, ele foi condenado a dois anos de reclusão e cinqüenta mil reais em multas. Todos os gays que ele havia curado foram obrigados a abandonar as esposas e voltar a ser gays - pois, segundo a sentença, "a homossexualidade faz parte da essência mesma desses cidadãos, não podendo ser abandonada por caprichos ou vontades individuais".

Quase todos os ex-gays se suicidaram no dia seguinte, e o Dr. Amadeu, embora triste, sorriu pela efetividade de seu tratamento. Restava a ele a lembrança da cura tão completa que leva ao suicídio aqueles que têm que retornar.

Morreu ainda na prisão, depois de dezoito meses preso. No seu testamento, deixou tudo o que tinha para o Ministério Público, dizendo: "Eles saberão cuidar melhor dos meus bens do que eu soube, já que sabem cuidar melhor da própria vida das pessoas".

Onde funcionava sua clínica funciona hoje a Casa de Passagem do Promotor, que abriga gratuitamente qualquer promotor que viaje pela região. O divã foi transformado em cama, e os vibradores que ele recebera pelo correio podem ser usados pelos promotores por um preço realmente módico.

Não se sabe de nenhum promotor que não os tenha usado até hoje.

15 Julho, 2009

Stevie Might be a Bear, Maybe



Com apenas três anos de atraso.

25 Abril, 2009

Eu queria fazer um post falando mal do Brasil, mas, gente, a gente vive num país em que o Daniel compõe a trilha da novela das seis!

09 Abril, 2009

I'm back! I'm back! Really, really back!

But not now. Amanhã, eu acho.