21 janeiro, 2006

Calypso

Geralmente os ricos são metidos a intelectuais. Para tanto, fingem odiar qualquer música surgida depois da década de setenta. No intento de fazê-los pensar de maneira diferente publico aqui a minha interpretação para o trecho inicial da música Cavalo Manco, do Calypso:

"Não pára não, vem cá, me dá a tua mão
Quero que sinta toda essa emoção
Cavalo manco, agora, eu vou te ensinar
Isso e muito mais você só vai encontrar em Belém do Pará"

OBVIAMENTE essa música é um protesto tardio contra a ditadura militar:
- O Primeiro verso conclama todas as pessoas a se unir em torno de um propósito único, a luta contra a ditadura;
- O segundo verso explica como a ditadura faz sofrer aqueles que vivem com sua presença - a emoção, no caso é negativa, e é por isso que, no momento que ela canta isso, ela dá uma desafinada;
- O terceiro verso é uma das metáforas mais bem elaboradas da história: o cavalo manco é, na verdade, a ditadura, que ostenta força mas que manca, ou seja, tem um ponto fraco onde deve ser atacado;
- O último verso é uma especificação do ponto fraco da ditadura: o pequeno poder que havia na época da ditadura sobre o estado do Pará, ainda não muito bem comunicado com o restante do país por conta de atrasos na construção da transamazônica, ou seja, o melhor lugar para se começar a revolução pretendida.

Então, Calypso é ou não é o novo Chico Buarque (em forma de banda, claro)?
P.s.: ficarei sem postar por mais ou menos uma semana por que vou pro fim do mundo!

2 comentários:

Manda disse...

Querido Gu, a cultura do Calypso é definitivamente inquestionável. Suas respectivas figuras de linguagem passam uma mensagem bastante educativa ao chamando ''povão'', além de uma base histórica extremamente
aprofundada e revolucionária! Abaixo a ditadura! Viva o Calypso!

Viviane Mendes disse...

Isso!
Calypso mania!
A revolução musical do NE!
AU!!!!!!!!
KKKKKKKKK!!!!