01 setembro, 2007

Circo

O problema de uma gorda no circo é ela achar que precisa fazer graça pra rirem dela.
____
Digo isso porque acabo de chegar de uma apresentação do grupo Tholl, de Pelotas, e a gordinha de lá - que grupo não tem uma gordinha? - ficava batendo na barriga e fazendo sons estranhos. Toda a pantomima exagerada ficaria bem sob uma tenda, mas estávamos num teatro, à noite, com iluminação toda bem feitinha e uma trilha sonora que caberia bem num filme da Barbie (ótimo sinal. Nos filmes da Barbie toca Quebra Nozes e O Lago dos Cisnes), apesar de duas músicas disco. Deu vontade de baixar o hino da Espanha - ou é o do México?

Mas ah, a parte circense é ótima. Todas aquelas acrobacias, com ar condicionado e poltrona acolchoada ficaram ótimas, apesar de não ter tido nada que desse medo - ou eu estava muito frio, não sei. Pirâmide humana, pessoas balançando naqueles panos que caem do teto, equilibrando-se sobre uma bola. E não tinha mágico. Por algum motivo só a palhaçada é obrigatória no circo. É preciso uma gorda batendo na barriga, são necessários erros propositais do malabarista, mas as cartolas são dispensáveis. É assim que funciona? Que quisessem manter a tradição no circo vá bem, mas cortando a mágica e deixando a gorda vestida de enfermeira sexy, qual!

E os artistas resmungavam coisas. Em meio àquela mímica exagerada havia ruídos misteriosos como "tictictictictic" ou "bumpbumpbump" ou "sshsshssh" e por aí milhares. E andavam daquele jeito que os palhaços andam, balançando muito as pernas. Depois executavam duplos mortais e me deixavam mais tranqüilo. Eu diria que não vale a pena, mas o ESPETÁCULO (essa palavra que sempre deve ser grafada em maiúsculas) é baratinho, R$7,50, e as acrobacias são muito bonitas mesmo. E a música, saída de uma sessão de Pocahontas, compensa a hora e meia dentro do teatro. E o ar condicionado, que compensa qualquer coisa em Recife.

Nenhum comentário: